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Martin Scorsese ataca críticos de cinema e sai em defesa de “Mãe!”

  • Por Jovem Pan
  • 11/10/2017 16h17
DivulgaçãoJavier Bardem e Jennifer Lawrence em cena de "Mãe!"

Recentemente, o Cinemascore, ranking que mede a aceitação dos filmes entre o público, classificou o recém-lançado Mãe! como “péssimo” ao atribuir-lhe a letra F, pior nota de sua escala. Acontece que, em meio às críticas, o cineasta Darren Aronofsky, responsável pela produção, recebeu o apoio de ninguém menos que Martin Scorsese. As informações são do The Hollywood Reporter.

“Há uma mudança que acredito que não tem nenhum lado positivo. Começou nos anos 80, quando os números de bilheteria começaram a se transformar na obsessão que são hoje. Quando eu era jovem, as notícias das bilheterias se restringiam a revistas da indústria. Hoje, eu temo que elas tenham se tornado tudo. A bilheteria é a base de quase todas as discussões sobre cinema e frequentemente se tornam mais do que apenas a base. O julgamento brutal que fez com que a arrecadação da estreia dos filmes se tornasse um esporte para um espectador sedento de sangue encorajou esses tipos de críticas (…). Eles têm tudo a ver com o mercado de cinema e nada a ver com a criação e a apreciação inteligente de um filme”, disse ao ser questionado sobre o Cinemascore, empresa que “classifica um filme da mesma maneira que alguém daria uma nota para um cavalo numa pista de corrida”.

Em seguida, Scorsese rasgou elogios à Mãe!. O diretor disse ter ficado “extremamente perturbado” com o filme e ressaltou que, semanas após assisti-lo, continua pensando e criando teorias sobre ele.

“As pessoas parecem estar atrás de sangue simplesmente porque o filme não pode ser facilmente definido ou interpretado ou reduzido a uma descrição de duas palavras. É um filme de terror, ou uma comédia sombria, ou uma alegoria bíblica, ou um alerta sobre devastação moral e ambiental? Talvez um pouco de tudo isso, mas certamente não apenas uma dessas categorias. É um filme que precisa ser explicado? E a experiência de assistir Mãe!? Foi tão tátil, tão lindamente encenado e atuado – a câmera subjetiva e os ângulos reversos do ponto de vista, sempre em movimento… o design de som, que vem ao espectador de todos os cantos e o leva cada vez mais para as profundezas desse pesadelo… o desenrolar da história, que gradualmente se torna cada vez mais perturbadora à medida que o filme avança. O horror, a comédia sombria, os elementos bíblicos, o alerta. Estão todos lá, mas são elementos da experiência total, que engole os personagens e os espectadores junto deles. Apenas um verdadeiro e apaixonado cineasta poderia ter feito esse filme”, finalizou.