Maior campeão da Copinha com 10 títulos, o Corinthians sempre foi considerado um exemplo no que diz respeito ao desempenho das suas categorias de base. Apesar disso, muito se cobrou sobre o aproveitamento destes atletas entre o time profissional.

Presente em cinco das últimas seis finais do tradicional torneio de começo de ano, o Alvinegro fez pouco proveito dos seus atletas campeões ou vice-campeões. A exceção está sendo a temporada deste ano, graças à integração entre os trabalhos do técnico do time profissional Fábio Carille com Osmar Loss, que era treinador da base e foi promovido a auxiliar técnico do time principal.

A presença de Loss é uma prova do interesse do Corinthians em trazer mais jogadores da sua base para o profissional. Como o treinador já conhece os atletas, fica mais fácil a adaptação com a nova realidade. A tática aparentemente tem funcionado. Dos 26 jogadores inscritos para a disputa do Campeonato Paulista, oito disputaram a Copinha em 2016 ou 2017: Léo Santos, Léo Príncipe, Guilherme Arana, Mantuan, Pedrinho (que fez sua estreia no Paulista no último domingo), Maycon, Léo Jabá e Carlinhos.

Dyego Coelho, que assumiu o comando do time Sub-20 após a promoção de Osmar Loss ao profissional, reforça essa ideia de integração entre a base e o time principal. Formado pela própria base do Corinthians há quatorze anos, Coelho contou, em entrevista ao Esporte em Discussão da última sexta-feira, que os atletas da base chegam muito mais preparados ao time de cima que na sua época, muito em conta da estrutura que o time oferece.

“Antigamente era mais difícil você chegar ao profissional. Hoje a estrutura que o Corinthians tem dá mais tranquilidade para esses meninos terem esperança de serem jogadores profissionais. É impressionante a estrutura que tem na base hoje, a organização que a gente tem, a estrutura para treinamento, como um time profissional, como um time realmente grande que o Corinthians tem que ser”, disse o treinador, que reconheceu que a mentalidade aplicada pelo Timão, de empregar a mesma filosofia de jogo nas categorias de base com o profissional, pode ser comparada ao empregado tradicionalmente pelo Barcelona, na Espanha.

“Desde o tempo de Tite com Osmar que tem uma integração muito forte do profissional com a base. Facilita para o jogador, que tem oportunidade de treinar com o profissional, de subir para jogar entre eles. A gente tem a mesma maneira de pensar, de jogar, o jogador precisa disso, não dá para ele jogar numa formação aqui e daqui uma semana jogar em outra formação lá. Nossa preocupação é essa e a integração nos dá essa liberdade”, afirmou.

Segundo Coelho, esse pensamento já é empregado aos atletas desde os times do sub-11. O treinador garante que os garotos aprendem desde cedo a diferenciar a brincadeira de rua do futebol, deixando-os com a mentalidade de atleta já formada antes mesmo de chegar ao elenco principal.

“A consciência deles hoje é impressionante, eles não só jogam bola, eles sabem realmente o que eles querem, o que o futebol traz para eles. A nossa função como treinador do Corinthians é mostrar pra eles que jogar bola é uma coisa e jogar futebol é outra. Entender o que o treinador quer é uma coisa e se colocar a Deus dará no campo é outra coisa. Então desde o Sub-11, Sub-13, já existe um pensamento, um conceito de jogo, que facilita para chegar ao profissional”, explicou.