De um lado, um técnico "boleiro", que nunca estudou e grita aos quatro cantos que ir à Europa não ajuda e "futebol é igual a andar de bicicleta". De outro, um treinador "estudioso", que foi ao Velho Continente e fez cursos na Uefa para se aprimorar na nova função

Em 2017, Grêmio e Inter terão dois legítimos opostos nos seus respectivos bancos de reservas. De um lado, o polêmico e "empirista" Renato Gaúcho. De outro, o não menos incisivo e "teórico" Antônio Carlos Zago. 

Se, há duas semanas, o gremista conversou com exclusividade com a Rádio Jovem Pan e explicou a polêmica declaração dada após o título da Copa do Brasil, nesta sexta-feira, foi a vez de o novo técnico colorado se posicionar sobre o assunto.

Em participação exclusiva no Esporte em Discussão, Antônio Carlos Zago rebateu a controversa tese de Renato Gaúcho, de que "quem precisa aprender, estuda, vai pra Europa... E quem não precisa, vai pra praia". 

Ex-auxiliar da Roma e do Shakhtar Donetsk, Zago defendeu a especialização teórica dos técnicos - ele, por sinal, viajou à Europa há quatro anos e fez estágios e cursos na Uefa antes voltar ao Brasil para comandar o Juventude.

"O Renato... Tudo aquilo que ele fala faz parte até da época em que ele era jogador. Tenho um bom relacionamento com ele, mas cada um se prepara da maneira como quer", afirmou o ex-defensor de 47 anos, com exclusividade, à Rádio Jovem Pan"Às vezes, as pessoas vão contra tudo aquilo que vem sendo feito para melhorar o futebol. Porque, hoje, querendo ou não, todo mundo fala em estudar, se preparar. E não é só no futebol, não, mas na vida", acrescentou. 

Zago apelou até mesmo à própria experiência para defender a atualização dos técnicos brasileiros. "Eu falo com orgulho que tive a oportunidade de fazer esses cursos na Uefa. Isso me capacitou ainda mais. Pode ser que não dê certo... Pode ser que vai dar certo um que não estuda, que não faz quase nada, que vive em cima da técnica ou qualidades dos jogadores... Eu também procuro trabalhar em cima da qualidade dos jogadores, mas dentro de um esquema tático que deu certo no Juventude e que espero que dê certo no Inter", explicou. 

"Eu vou continuar me preparando e estudando, sem desrespeito a nenhum treinadorDe novo, falo e repito: treinador de futebol tem que estudar e se preparar, sim, porque só assim, na minha opinião, vai estar mais capacitado para exercer essa função", complementou.

Ao contrário de Renato, Zago acredita que os anos de estudo na Europa lhe proporcionaram uma considerável evolução profissional. Ele começou a atuar como técnico no São Caetano, em 2009, e, antes de cruzar o Atlântico, rodou por Palmeiras, Grêmio Barueri, Mogi Mirim, Vila Nova e Audax, sem muito sucesso. No primeiro trabalho depois da viagem, porém, foi bem, faturando o vice-campeonato gaúcho e o acesso à Série B com o modesto Juventude. 

"Trabalhei como auxiliar na Roma e no Shakhtar. Disputei Copa da Uefa e Champions League e aprimorei a parte teórica nos cursos da Uefa. Hoje, me encontro preparado para defender qualquer clube grande do futebol brasileiro. Eu falo com orgulho que me preparei bem e estou no momento ideal para dirigir uma equipe do porte do Internacional", finalizou.