Último time a enfrentar a Chapecoense antes do terrível acidente aéreo que vitimou 71 pessoas no fim de novembro, na Colômbia, o Palmeiras será, também, o primeiro rival da equipe catarinense depois da tragédia de Medellin. As duas equipes vão disputar um amistoso no próximo dia 21, na Arena Condá. 

Em entrevista exclusiva a Wanderley Nogueira, para a Rádio Jovem Pan, o novo técnico da Chapecoense, Vagner Mancini, disse que a partida não servirá apenas para homenagear os mortos no desastre da LaMia. De acordo com o comandante da Chape, o jogo vai coroar também a solidariedade do Palmeiras, clube que foi exaltado pelo novo treinador catarinense.

Mancini disse que vários times ajudaram a Chapecoense depois da tragédia. No entanto, só citou nominalmente o atual campeão brasileiro  clube que tem sido bastante solícito com a Chape depois do acidente: além de emprestar o volante Amaral, o Palmeiras encaminhou as transferências de Nathan e João Pedro, agiu para viabilizar o amistoso do próximo dia 21 e abriu mão de receber a sua parte na renda e nos direitos de TV da partida, que serão todos revertidos para a equipe do sul do País.

Além de elogiar o atual campeão brasileiro, Mancini ainda revelou que espera apenas a montagem completa do elenco da Chapecoense para agradecer publicamente a todos os outros clubes que também contribuíram com a reconstrução do time de Santa Catarina. Não contente, reafirmou que muitas promessas de ajuda não foram cumpridas e contou que se emocionou com o choro de duas senhoras que o pararam nas ruas de Chapecó para conversar a respeito do desastre que abalou o mundo no fim do ano passado.

Confira, abaixo, a entrevista exclusiva de Vagner Mancini à Rádio Jovem Pan:

O que esperar do amistoso contra o Palmeiras? 

O Palmeiras foi o último time que jogou com a Chapecoense antes daquele fatídico dia. O que eu espero é que a Chapecoense possa ter, já no dia 21, um time capaz de enfrentar o atual campeão brasileiro. Lógico que todos nós sabemos da dificuldade que está sendo realizar não só a contratação de jogadores, como também a reconstrução de todo o departamento de futebol... Mas espero que, além de um jogo de futebol, também seja o reecontro da Chapecoense com a nossa torcida, para que a gente consiga retomar o que vinha sendo feito. Que seja o princípio de um ano maravilhoso para o clube.

Que time você vai colocar em campo?

Já temos alguns jogadores contratados. Devo começar essa fase de pré-temporada com um esboço de 80% do elenco. Isso já vai me dar condições de montar uma equipe. Talvez não seja o time que vai jogar a maioria das partidas, até porque nove jogadores vão subir do sub-20, mas já é alguma coisa. Vamos partir de um princípio importante para enfrentar o Palmeiras.

Quais clubes efetivamente ajudaram a Chapecoense depois do acidente? 

Olha... Nós tivemos muita ajuda do Palmeiras. Inclusive, acho que esse amistoso do dia 21 vai ser coroado muito em cima disso, na solidariedade que o Palmeiras teve com a gente. É um clube do qual, hoje, eu posso falar abertamente. Estou somente esperando a conclusão de todo o elenco para vir a público agradecer às outras equipes que também nos ajudaram. E ajudar não é só ceder jogadores, não. Às vezes, a ajuda vem de uma forma diferente, até porque muitos clubes têm dificuldades financeiras. Mas tem bastante gente ajudando, sim, inclusive alguns times do exterior. No momento certo, vamos agradecer a todos, em público. 

E as promessas de ajuda não cumpridas? 

Muita gente falou que ajudaria e até agora não se manifestou. Mas eu não estou aqui para fazer nenhum tipo de crítica. Entendemos a situação de cada um. O País passa por um momento delicado na sua economia... Então, sabemos que às vezes não é tão simples assim. Quando eu falei disso em outra entrevista, muita gente polemizou, mas a nossa intenção não é essa. Apenas queremos a ajuda de quem realmente esteja disposto a ajudar. 

Por que a Chapecoense não aceitou a imunidade na Série A?

Eu acho interessante essa tomada de decisão da diretoria, porque a Chapecoense é um clube extramemente sólido, com uma situação financeira invejável perto de outras equipes do seu porte. É necessário entender que a Chapecoense talvez tenha, hoje, uma dimensão maior do que todo mundo esperava, infelizmente por causa dessa tragédia... Mas temos de saber absover e usar o nosso trabalho voltado para como se tivéssimos sido escolhidos, e fomos, para estar aqui, ajudando na reconstrução de uma equipe e também para que a marca Chapecoense seja alavancada mundo afora.

O que você tem sentido das pessoas nas ruas de Chapecó? 

Sinto que nós fomos muito bem acolhidos por aqui. Não só eu, mas toda a minha equipe de trabalho, o Rui Costa, o João Carlos Maringá... Outro dia, eu caminhava pelas ruas de Chapecó, indo do estádio até o hotel, e duas senhoras me pararam na rua... Eu fiquei emocionado, porque elas começaram a chorar na minha frente ao relembrar das pessoas que morreram na tragédia. Então, sabemos que a nossa qualidade de trabalho vai ter de ser a melhor possível, porque Chapecó é uma cidade que merece esse carinho. A melhor maneira para homengear todos aqueles que estavam aqui é fazendo um grande trabalho, honesto, leal, de peito aberto, para que todo mundo sempre nos ajude.