“Não vamos deixar o futebol morrer”. Foi o que disse Felipe Melo ao deixar o campo após a vitória do Palmeiras sobre o Santos, na Vila Belmiro, de virada. E ele está certo. Na partida, o volante foi provocado pela torcida, provocou de volta, fez dancinha, bateu no peito – e também, no meio de tudo isso, jogou bola.

Desde que retornou ao Brasil, o camisa 30 alviverde vem tentando resgatar a rivalidade do futebol. Ele mesmo afirmou ser fã da época “sem mimimi” de Edmundo, Romário, que pouco se importavam em medir palavras a quem quer que fosse dentro e fora das quatro linhas.

No clube paulista, é importante destacar, que Melo faz mais do que falar: tem tido atuações seguras no meio de campo e justificado o investimento da equipe. Mas, sim, o falastrão supera o jogador. E tem de ser assim, é nisso que o futebol respira.

As declarações já são muitas: “vou dar tapa na cara de uruguaio, mas com responsabilidade”, “nunca vi caldeirão com 5 mil pessoas (em referência à Vila Belmiro)”, “Quando a gente joga contra time pequeno eles ficam todos atrás. Igual contra o Corinthians” e por aí vai.

É evidente que ele não acha, de verdade, que o Corinthians é um time pequeno. Qualquer pessoa sabe disso. Mas ao falar isso duas coisas acontecem: a torcida do Palmeiras vê Felipe Melo com outros olhos e a do rival já o coloca na lista negra.

Obviamente, seu nome será lembrado pelo Timão no próximo clássico com algo que passa longe de carinho. Mas isso não significa, necessariamente, que o embate será violento. Na Vila, não foi.

Passou da hora de que as provocações, dancinhas, cantos da torcida voltem ao primeiro plano do futebol ao invés de brigas orquestradas nos arredores do estádio. Nem que seja pelos pés, ou língua, de Felipe Melo que os primeiros passos sejam dados nessa direção. O futebol precisa dele.