O santista iniciou 2016 com um sentimento de frustração. Sem vaga na Libertadores da América, por causa da derrota na final da Copa do Brasil para o rival Palmeiras no ano anterior, restou ao torcedor ver o Santos brigando apenas pelo título estadual no primeiro semestre. Mas, independente da relevância da competição em disputa, o grupo de jogadores do Santos começou o ano fortalecido e motivado.

Dessa vez o Peixe iniciava a temporada sem os problemas financeiros, que tanto atrapalharam o clube em 2015. O Santos não teve que se desfazer de jogadores e conseguiu manter a base do ano anterior, inclusive os destaques Lucas Lima e Gabigol. Além disso, as revelações tinham se firmado entre os titulares, caso do zagueiro Gustavo Henrique, do lateral Zeca e do volante Thiago Maia.

Supremacia estadual

No primeiro desafio do ano, o Campeonato Paulista, o Santos não encontrou dificuldades para conquistar mais um título, o 22º em sua história. O Peixe fez a segunda melhor campanha da fase de grupos, ao vencer nove dos 15 jogos disputados – perdeu apenas para o Red Bull na 7ª rodada por 2 a 0. No mata-mata passou por São Bento (2 a 0) e depois Palmeiras, nos pênaltis, antes de encarar a equipe do Audax na final.

O time de Osasco era a sensação da competição, pois havia eliminado São Paulo e Corinthians nas quartas e semifinais. Porém, na decisão não teve forças para surpreender o Santos. Após empate em 1 a 1 na primeira partida, o Peixe fez valer o fator casa e ao lado de sua torcida venceu o Audax por 1 a 0, com gol de Ricardo Oliveira. O título e o futebol apresentado animaram os torcedores, que passaram a sonhar com algo maior na temporada.

Oscilação no início e arrancada tardia

Apesar do título estadual, das boas atuações de Gabigol, o Santos não teve um bom início no Campeonato Brasileiro. Nas cinco primeiras rodadas, a equipe comandada por Dorival Júnior sofreu três derrotas, sendo uma delas em casa para o Internacional, que viria a ser rebaixado no final da competição. E foi justamente, diante das equipes da parte debaixo da tabela que o Santos mais teve dificuldades ao longo do Brasileirão.

Os pontos perdidos para América-MG e Figueirense, por exemplo, fizeram falta na reta final da competição. O Peixe até buscou reagir no segundo turno, ultrapassando o Flamengo e encostando no líder Palmeiras, mas não foi o suficiente para o time conquistar mais um título na temporada. O Santos acabou o Campeonato Brasileiro na segunda posição, nove pontos atrás do rival alviverde.

Adeus de Gabigol

Em agosto, após muita especulação e algumas propostas recusadas, o Santos acertou a venda do atacante Gabriel, o Gabigol. O camisa 10 acertou a saída para a Inter de Milão, que pagou ao clube alvinegro 27 milhões de euros, se tornando a quarta maior transação da história do futebol brasileiro – o valor é menor apenas que as vendas de Neymar, também do Santos, Gabriel Jesus, do Palmeiras, e Lucas, do São Paulo.

Se por um lado garantiu receita ao Santos, do outro fez com que o time perdesse força no setor ofensivo. Dorival Júnior escolheu o colombiano Jonathan Copete como substituto de Gabigol. Contratado junto ao Atlético Nacional, campeão da Libertadores, o atacante demorou para se firmar no time alvinegro. Em 25 partidas disputadas no Brasileirão, Copete marcou 10 gols, um a menos que Ricardo Oliveira, que chamou a responsabilidade após a saída de Gabigol.

Perspectiva para 2017

O título brasileiro pode não ter vindo, mas o Santos tem um motivo para comemorar no final da temporada: a vaga para a Libertadores da América em 2017. Depois de quatro anos, o time alvinegro voltará a disputar a competição continental e poderá almejar voos mais altos. O elenco vai se reapresentar no dia 11 de janeiro para dar início a preparação a preparação do Paulista e da Libertadores.

Resta saber apenas se o time não vai se desfazer de nenhuma peça para a temporada 2017. Ricardo Oliveira chegou a ser sondado no São Paulo, Vitor Bueno foi um dos destaques do time no Brasileirão e despertou interesse do futebol europeu, assim como Lucas Lima. Dorival Júnior e os torcedores esperam que a base seja mantida para que o Santos possa voltar a conquistar títulos fora do Estado de São Paulo.