Principal jogo deste sábado, Palmeiras x São Paulo terá no experiente Michel Bastos a sua figura de maior destaque. Será a primeira vez que as duas equipes vão se enfrentar desde a polêmica transferência do meia-atacante ao clube alviverde, no fim do ano passado.

Michel deixou o São Paulo pela porta dos fundos, depois de ser agredido pela torcida tricolor em uma invasão no CT da Barra Funda. O fato aconteceu em agosto e praticamente sacramentou a saída do jogador, que só disputaria mais quatro partidas pelo clube após o violento protesto.

Afastado pela diretoria, Michel ficou sem atuar de outubro a dezembro e "pulou o muro" de graça, ganhando ainda mais antipatia da torcida são-paulina.

O que poucas pessoas sabem, no entanto, é que o atleta só não deixou o clube tricolor meses antes por causa de Luiz Cunha.

Então diretor de futebol do São Paulo, o dirigente chamou Michel Bastos de lado ainda no primeiro semestre de 2016 e lhe falou palavras que, segundo o cartola, ajudaram-no a crescer de rendimento na fase de mata-mata da Libertadores.

Sem essa evolução, no entendimento de Luiz Cunha, dificilmente Michel Bastos teria conseguido se manter no São Paulo até o fim do ano – a perseguição ao jogador durante o Campeonato Paulista e a primeira fase da Libertadores foi tão grande que por pouco não custou a permanência do atleta no clube.

"O Michel estava infeliz", relembrou Cunha, em entrevista exclusiva ao repórter Felipe Altarugio, para a Rádio Jovem Pan. "Ele tinha dado motivos para a torcida ter alguma restrição quanto a ele, mas as pessoas agem irracionalmente. Se você persegue um jogador, ele para de render. Era o que estava acontecendo", acrescentou. 

"O que eu fiz foi conversar com o Michel, ouvir as suas lamúrias, corrigir algumas coisas e lhe dar apoio, tranquilidade, para trabalhar. Eu disse a ele: 'quem jogar pedra, eu entrarei na frente... Elas vão me atingir! Pode trabalhar com tranquilidade, que eu vou lhe dar toda a guarida'", revelou. 

O papo, de acordo com Luiz Cunha, foi de fundamental importância para Michel Bastos, que, nos primeiros jogos do mata-mata da Libertadores, anotou três gols e ajudou o São Paulo a chegar à semifinal da competição continental – meses antes, ele até havia sido alvo de um "apitaço" da torcida tricolor em função de polêmicas extracampo. 

"A partir daquela conversa, nós vimos o quanto o Michel cresceu de produção, ficou feliz e foi útil para a caminhada do São Paulo na Libertadores. Foi muito legal", ressaltou Cunha.

Em entrevista à ESPN Brasil em junho do ano passado, o próprio Michel Bastos confirmou ter sido complicado aguentar a pressão da torcida são-paulina no primeiro semestre de 2016. O jogador, no entanto, garantiu que, até aquela altura, nunca havia tentado deixar o clube – algo que aconteceria meses depois, mais precisamente após a invasão no CT. 

"Eu sentia que estava demais. O relacionamento lá dentro sempre foi tranquilo, nunca tive problema nenhum. Mas parte da torcida falava muitas coisas de mim. Eu dizia para o meu empresário: 'estou trabalhando, tentando mostrar que tudo isso que estão falando mim é mentira'. Porque você ser criticado por jogar mal é normal. Agora, você chegar no estádio e ver torcedores com uma foto sua, antiga, com uma cerveja na mão... Aí é complicado", desabafou.

Para Luiz Cunha, que deixou a diretoria do São Paulo em junho, é difícil acusar a alta-cúpula tricolor de descuido com Michel Bastos – o jogador chegou ao clube como estrela e, dois anos depois, transferiu-se para um rival de graça, praticamente chutado pela torcida. 

"Não sei...  É difícil falar de fora. Pelo noticiário, eu vi que o Marco Aurélio (Cunha, ex-diretor de futebol do São Paulo) tentou fazer da mesma forma que eu fizresgatando o jogador... Mas é duro falar de fora. Fato é que hoje o Michel joga no nosso adversário, e eu, como amigo dele, torço pelo seu sucesso, exceto quando jogar contra o São Paulo". 

Será o caso deste sábado.  

O confronto entre o atual e o ex-time de Michel Bastos será realizado no Allianz Parque, a partir das 16h (de Brasília), pela oitava rodada do Campeonato Paulista. Até o momento, o meia-atacante já disputou sete partidas com a camisa alviverde e marcou dois gols. No clássico contra o São Paulo, Michel tem tudo para ser titular.