O São Paulo Futebol Clube vai conhecer daqui um mês o seu novo presidente. Os rivais na disputa eleitoral são Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, atual mandatário, e José Eduardo Mesquita Pimenta, que tenta voltar a ocupar a principal cadeira do clube do Morumbi após duas décadas.

Ambos possuem uma história vitoriosa no São Paulo. Presidente entre os anos de 1990 a 1994, Pimenta comandou o clube nos títulos do Campeonato Brasileiro, de 1991, da Libertadores e do Mundial de Clubes, de 1992 e 1993. Já Leco fez parte da diretoria do São Paulo entre os anos de 2006 e 2014, conquistando três taças do Brasileirão e uma Copa Sul-Americana.

Os candidatos à presidência do São Paulo conversaram com o repórter da Jovem Pan, Márcio Spimpolo, e falaram o que pensam sobre o atual momento da política no clube e o que pretendem fazer à frente do tricolor nas próximas três temporadas (o novo mandato vai durar até o fim de 2020) em caso de vitória. Confira:

A busca pela continuidade

Ocupando a presidência do São Paulo desde outubro de 2015, após a renúncia de Carlos Miguel Aidar, Carlos Augusto de Barros e Silva classifica a eleição no próximo mês como coroação de uma vida dedicada ao clube. Para Leco, os últimos 16 meses à frente do tricolor foram positivos.

“O São Paulo obteve significativos avanços nesses últimos meses que estou à frente da instituição, em relação ao que se encontrava, ao que se aspira e se pretende, para que o São Paulo nada mais faça que honrar a sua história e sua tradição. Conseguimos grandes avanços, indiscutivelmente”, disse o candidato da situação.

Segundo Leco, hoje o tricolor paulista vive uma situação política mais tranquila, comparado ao momento em que assumiu o cargo, no ano de 2015. No entanto, só após a eleição do próximo mês o comandante do São Paulo terá a calma necessária para desenvolver sua gestão. O candidato destaca o novo estatuto como aliado.

“Entre as novidades está à remuneração ao presidente e alguns cargos da diretoria, aprovados no estatuto. Consideramos isso um avanço da estrutura do clube, as exigências da modernidade. Não serão salários astronômicos, que causarão impactos as finanças da instituição, mas vão permitir que as pessoas possam se dedicar exclusivamente ao clube”.

Uma das criticas a sua gestão foram as trocas de treinador e também a escolha de Rogério Ceni, considerada como ato político. Leco se defende e diz que o atual comandante tricolor vem demonstrado sua capacidade de comandar o time e conduzi-lo as vitórias e novas conquistas.

“A escolha por Rogério Ceni fiz com segurança e confiança. Sei que ele seria um excepcional companheiro nosso, no sentido de dirigir a comissão técnica do São Paulo. E ele está demonstrando isso. O que eles estão falando a respeito do Rogério Ceni é um argumento evasivo e não prospera”, explicou.

Questionado sobre o seu adversário na eleição, o candidato da situação reconhece tudo que José Eduardo Mesquita Pimenta fez ao São Paulo, como as conquistas dentro e fora de campo, mas diz que o rival está há muito tempo longe da política do clube, o que poderia atrapalhar em sua gestão.

“O Pimenta foi um político, um homem que teve muitas participações na vida do São Paulo. Um homem que tem experiência política evidentemente, mas que estava de certa forma afastado das ações políticas. Ele voltou há um ano e meio e se apresentou a candidato a oposição de uma forma um pouco estranha e inexplicável, mas isso não me diz respeito”.

Pela retomada da confiança

Presidente entre 1990 a 1994, período áureo em que o Tricolor se sagrou bicampeão da Libertadores e do Mundial, José Eduardo Mesquita Pimenta decidiu voltar a concorrer a principal cadeira do clube para tentar recuperar a credibilidade e confiança que, segundo o candidato, foram perdidas nos últimos anos.

“A gestão do São Paulo não vai bem. O São Paulo entrou em um declínio acentuado desde 2008 e eu tenho a expectativa de restabelecer a credibilidade no clube, assim como a confiança, e voltar a ser um time ganhador. O clube atravessa uma crise financeira muito grande. E isso é grave”, analisou.

De acordo com o candidato da oposição, para o São Paulo pensar em ser grande, como aconteceu nos anos 90, é necessário recuperar as finanças do clube, através de uma gestão mais profissional, descentralizada do poder, colocando em vigor o novo estatuto, aprovado no ano passado.

“Um clube que não tem uma base solida, não pode pensar em ser um grande clube, como o São Paulo foi nos anos 90. Essa é a minha expectativa. Em relação a títulos, ganhamos tudo no passado. Nossa expectativa agora é restabelecer a confiança no São Paulo e fazer com que o clube volte a ser grande”, disse.

Uma das preocupações de Pimenta é em relação à interferência que a atual gestão do clube ainda sofre do ex-presidente Carlos Miguel Aidar, que renunciou ao cargo em 2015 sob denúncias de corrupção. Para ele, Leco não conseguiu se desligar totalmente de Aidar e o clube sofre com esses problemas políticos.

“Isso é algo que me preocupa muito, pois é o mesmo grupo que está comandando o São Paulo. É só uma continuidade e isso me preocupa. Eles não estão realmente pensando no clube como deveriam pensar. Em primeiro lugar o São Paulo. Essa continuidade de erros das gestões anteriores me preocupa”.

Sobre o treinador Rogério Ceni, Pimenta não descarta a possibilidade dele ter sido contratado para dar força ao candidato da situação na eleição. Mas, o ex-presidente tricolor considerou interessante a escolha do comandante, já que Rogério Ceni sempre demostrou ser autoconfiante, característica que pode lhe ajudar nessa nova etapa de sua carreira.

Para finalizar, como um dos projetos de campanha, Pimenta destaca uma grande reforma no estádio Morumbi, considerado hoje como defasado. “É um sonho. Estamos pensando seriamente nisso. Na cobertura e na construção da garagem, que são algumas das deficiências que o estádio possui”.