Teixeira e ex-presidente do Barça se apropriaram de dinheiro da Seleção, denuncia Espanha

  • Por Estadão Conteúdo
  • 07/12/2017 17h30

Divulgação

Ricardo Teixeira presidiu a Confederação Brasileira de Futebol entre 1989 e 2012

Ricardo Teixeira teria fraudado a CBF e se “apropriado” de dinheiro da Seleção Brasileira. A constatação é da Audiência Nacional na Espanha que, em uma decisão emitida nesta quinta-feira (7), aponta uma vez mais para o suposto esquema montado pelo ex-presidente da CBF para lucrar com os amistosos do Brasil.

A decisão se refere a um pedido do aliado de Teixeira, Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, de aguardar seu julgamento em liberdade. Ele foi preso em meados do ano, justamente por ser acusado de fazer parte deste esquema de desvio de recursos. O apelo dos advogados de Rosell, porém, foi negado e o homem forte do futebol espanhol passará as festas de fim de ano na prisão.

O documento, porém, detalha sua avaliação sobre o papel de Teixeira no esquema milionário e aponta que o ex-cartola brasileiro recebeu recursos que não repassou de volta para a entidade máxima do futebol nacional.

O esquema criado em 2006 – e revelado pelo Estadão em 2013 – consistia em contratos falsos que justificavam o pagamento de comissões a uma empresa, a Uptrend, de propriedade de Rosell. Para cada jogo da seleção brasileira, a companhia que obteve os direitos sobre os jogos, a ISE, teria de repassar um porcentual para a Uptrend. No total, o desvio teria chegado a 14 milhões de euros.

A Uptrend, segundo a Justiça espanhola, teria sido criada para “camuflar pagamentos a Teixeira”. Uma parte do dinheiro também iria para Rosell.

Na prática, a empresa que comprou os direitos pagou pela seleção um valor 14 milhões de euros (cerca de R$ 53 milhões) superior ao que a CBF de fato recebeu por ceder à ISE os direitos sobre o time brasileiro. “A CBF vendeu algo que o comprador comprou por muito mais dinheiro que ela recebeu e essa diferença foi apropriado por outros”, indica o documento da Justiça.

Madri decidiu cooperar com o Brasil e, em outubro, decidiu enviar o processo relativo a Teixeira ao Ministério Público Federal, em Brasília. O objetivo é de que o cartola seja investigado e eventualmente processado no Brasil.

No documento emitido nesta quinta-feira, a Justiça espanhola deixa claro que espera que a cooperação com o Brasil resulte em uma transmissão de informações de Brasília para Madri, principalmente sobre as relações financeiras entre Rosell e Teixeira.

De acordo com o documento, não há provas por enquanto de que dinheiro recebido pela Uptrend, de cerca de 14 milhões de euros, teriam sido legais.

Os espanhóis deixam claro também que a investigação sobre Teixeira e Rosell ocorreu em parte graças a informações oferecidas pelo FBI, nos EUA. Para a Audiência Nacional, a única possibilidade de que o catalão possa acompanhar o processo em liberdade seria uma eventual garantia financeira milionária, depositada nas contas do estado.

Procurada, a defesa de Teixeira por enquanto não se pronunciou sobre as acusações que constam dos documentos da Justiça espanhola.