A convocação da Seleção Brasileira feminina de vôlei para a temporada 2017 apresentou novidades. Além de ter apenas três campeãs olímpicas (Adenízia, Natália e Tandara), a lista anunciada por José Roberto Guimarães não contou com os nomes de Jaqueline, Thaísa, Fabiana, Dani Lins, Fabíola e Fernanda Garay – conhecidos em todo o País.

Thaísa e Fabíola, por exemplo, ainda se recuperam de lesões. Jaqueline, por sua vez, tem condições de jogo, mas será poupada. Os casos de Dani Lins e Fernanda Garay, por outro lado, são um tanto quanto curiosos: ambas pediram para não serem convocadas. O motivo? Querem se dedicar à vida pessoal – Dani tem o desejo de ser mãe, enquanto Garay está prestes a se casar. 

Zé Roberto encara a situação com naturalidade. "Em ano pós-olímpico, a gente sempre se prepara para esses pedidos acontecerem. As meninas começam a chegar aos 30 anos, e algumas querem se tornar mães, outras querem se dedicar à família... Tem uma série de fatores. Foi assim depois de 2008 e também depois de 2012. É absolutamente normal", avisou o técnico, em entrevista exclusiva a Fredy Junior que vai ao ar no próximo Domingo Esporte, na Rádio Jovem Pan. 

O comandante, no entanto, deixou claro que "as portas para estas jogadoras permanecem abertas". Apesar de ter quatro competições pela frente em 2017 (Montreux Volley Masters, Grand Prix, Sul-Americano e Copa dos Campeões), o planejamento da Seleção, de acordo com Zé Roberto, é feito a longo prazo – visando, sempre, à próxima edição dos Jogos Olímpicos.

"Temos de aproveitar todo esse tempo para treinar e já pensar no grupo que vai a Tóquio. Neste ciclo, vamos disputar cerca de 140 jogos. Perder ou ganhar vai fazer parte do contexto. O importante vai ser treinar e jogar contra as melhores seleções do mundo", afirmou, ciente da dificuldade de renovar a Seleção para a próxima Olimpíada. "O mais importante é não fechar as portas para ninguém. Jogadora que estiver bem, independente da idade, vai ser convocada. Tudo depende do nível de motivação e do orgulho de vestir a camisa da Seleção". 

E a Fabiana?

O caso da central, capitã e bicampeã olímpica, é mais delicado. Aos 32 anos, Fabiana seguiu o exemplo de Sheilla e anunciou aposentadoria da Seleção horas depois da emocionante eliminação nas quartas de final da Rio-2016, para a ChinaUm retorno é considerado improvável, mas não está descartado por Zé Roberto – o técnico ainda tem esperança de contar com a jogadora no ciclo rumo a Tóquio. 

"A gente brinca muito. A Fabiana esteve aqui em Barueri antes de ontem... Veio fazer uma visita. E eu perguntei a ela: 'tem certeza (de que não quer mais jogar pela Seleção)?'. Ela me olha, olha, e não responde muito convicta... Porque todas criaram uma identidade muito grande com a Seleção", revelou o treinador. 

"O problema vai ser de performance. Se ela estiver entre as melhores do País e disser que está motivada, que quer voltar à Seleção, eu não posso fechar as portas de maneira nenhuma. É uma jogadora extraordinária. Depende muito dela. Ela ficou na Seleção por 15 anos... Compreendo a decisão dela, mas acho uma pena, porque ainda tem bola para estar na Seleção", finalizou.