0:00
0:00

Há 10 anos, F1 viveu o maior escândalo de espionagem de sua história; relembre

  • Por Jovem Pan
  • 13/09/2017 07h00 - Atualizado em 12/09/2017 18h27
Montagem Reprodução TwitterNigel Stepney e Mike Coughlan protagonizaram o maior escândalo de espionagem da Fórmula 1

Mike Coughlan e Nigel Stepney nunca pilotaram um carro de Fórmula 1, mas há exatos 10 anos entraram para a história da principal categoria do automobilismo mundial. O então projetista-chefe da McLaren e o chefe de mecânicos da Ferrari protagonizaram o maior escândalo de espionagem da F1, que ficou conhecido como “Spygate”, e deram início a uma batalha fora das pistas.

A escuderia britânica foi acusada de ter sido beneficiada por dados de um projeto da equipe italiana. Tudo começou no dia 21 de junho de 2007, quando a Ferrari descobriu algumas irregularidades em seus carros e passou a suspeitar de Stepney. O chefe de mecânicos acabou sendo afastado e disse que estava sendo vítima de um jogo sujo da escuderia.

No entanto, quatro dias depois, a Ferrari declarou ter descoberto um roubo de dados após denúncia feita por um funcionário de uma copiadora próxima à sede da McLaren, na Inglaterra, que teria copiado 780 páginas de um material confidencial de propriedade da equipe italiana e entregue ao projetista britânico.

Dias depois, os italianos conseguiram provar a associação entre Stepney e Coughlan e acionaram a justiça. A Ferrari demitiu imediatamente o seu funcionário, enquanto a rival suspendeu seu projetista por cautela. Mas, em uma busca realizada pela polícia britânica na casa de Coughlan, as cópias dos documentos foram encontradas.

O arquivo que foi passado de Stepney para Coughlan contava com dados importantes sobre o funcionamento da escuderia italiana, dados de telemetria, aerodinâmica e muitas outras informações de seus carros e motores, como consumo, quilometragem e pneus. Foi a partir deste momento, já no dia 4 de julho, que a FIA entrou em ação.

A Federação Internacional de Automobilismo instaurou uma investigação que, a princípio, não identificou que a McLaren havia se beneficiado com as informações da equipe adversária. Porém, no dia 5 de setembro, a FIA retomou o caso depois de ter acesso aos e-mails trocados entre Coughlan e os pilotos Fernando Alonso, titular, e Pedro de la Rosa, de teste, durante a temporada.

Nas conversas, o projetista-chefe passava informações aos pilotos sobre o funcionamento dos carros italianos, fato que levou os britânicos novamente ao banco dos réus. Diferente do que havia acontecido dias antes, a McLaren não seria julgada mais no Tribunal de Apelo, mas sim no Conselho Mundial do Esporte a Motor.

No dia 13 de setembro de 2007, a FIA entendeu que a equipe britânica fez uso das informações contidas nos documentos e que levou vantagem sobre o rival. A McLaren acabou sendo punida e excluída do Mundial de Construtores daquele ano, além de ter que pagar uma multa de US$ 100 milhões – o valor mais alto já estabelecido como punição na história da F1.

Os personagens que protagonizaram o escândalo admitiram participação e não foram banidos da categoria. Coughlan foi demitido da McLaren no início de 2008 e voltou a trabalhar em 2011 na Williams, onde permaneceu até 2013. Já Stepney deu continuidade à carreira no Mundial de Endurance. Em 2014, aos 56 anos, morreu vítima de um acidente de carro.