Por escândalo de doping, COI exclui Rússia dos Jogos de Inverno

  • Por Jovem Pan com Estadão Conteúdo
  • 05/12/2017 16h55

EFE

Em 2016, Rússia foi banida dos Jogos Paralímpicos; em 2018, o país não poderá competir nos Jogos de Inverno

Faltando pouco mais de dois meses para os Jogos Olímpicos de Inverno, em PyeongChang, na Coreia do Sul, o COI confirmou que a Rússia não poderá disputar a competição. A decisão de banir o país europeu foi confirmada nesta terça-feira (5), durante uma reunião realizada entre membros da entidade em Lausanne, na Suíça.

O motivo pela exclusão do país são as recentes denúncias de acobertamento de casos de doping feita pelo Comitê Olímpico Russo. Após uma investigação, a entidade concluiu que houve uma “manipulação sistêmica do controle de doping”.

No Jogos Olímpicos de 2016, realizado no Rio de Janeiro, um terço dos atletas também foram afastados. Mas, agora, a suspensão é generalizada a todas as modalidades. “Nunca vimos uma manipulação dessa magnitude e causou dano sem igual ao movimento olímpico”, disse o COI.

Para a entidade, foi o Ministério de Esportes que “fracassou” em lidar com a situação. “Trata-se de um ataque sem precedentes na integridade do esporte”, disse o alemão Thomas Bach, presidente do COI. Segundo ele, em Sochi em 2014, o laboratório de controle de doping foi amplamente manipulado.

Richard McLaren, investigador independente da Wada (Agêndia Mundial Antidoping, na sigla em inglês), denunciou a existência de um sistema para encobrir mais de mil casos de doping de atletas russos.

O problema central, porém, não é o envolvimento apenas de atletas. Mas as descobertas de Richard McLaren apontam que Vitaly Mutko, ex-ministro russo de esportes e atual organizador da Copa do Mundo, era o chefe do plano de Estado para garantir que atletas pudessem se dopar, sem risco de serem pegos.

Desde então, porém, ele foi promovido dentro do governo russo e se transformou em vice 1º Ministro. O COI rompeu com a sua posição dos últimos meses e confirmou que aceitava as conclusões de McLaren.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, deixou claro que Moscou vai continuar a questionar essas descobertas. “Elas não têm base”, disse. “Vamos defender nossos atletas com todos os meios possíveis”, insistiu.

Uma investigação russa ainda concluiu que o delator dos casos de doping, o ex-chefe do laboratório russo, Grigory Rodchenkov, foi quem fornecia os remédios ilegais aos atletas. Vladimir Putin, presidente russo, chegou a dizer que a acusação vinha de um “homem com uma reputação escandalosa”.

Apesar da exclusão imposta pelo COI ao país europeu, os atletas que conseguirem comprovar a não participação no escândalo poderão competir pela bandeira olímpica e, caso conquistem o pódio, não terão o hino russo tocado e a bandeira russa não será hasteada durante o protocolo de entrega das medalhas.