Secretária de Nuzman diz que cúpula do COB sabia de “pressões” de Papa Diack

  • Por Estadão Conteúdo
  • 09/10/2017 10h24

Tomaz Silva/Agência Brasil

Nuzman foi preso pela Polícia Federal na última quinta-feira

A secretária de Carlos Arthur Nuzman, preso provisoriamente no Rio de Janeiro no curso da Operação Unfair Play, disse em depoimento à Polícia Federal (PF) que a cúpula do Comitê Olímpico do Brasil (COB) sabia de pressões que o empresário senegalês Papa Diack, filho do ex-presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), vinha fazendo para que recebesse “pagamentos atrasados” à época da escolha do Rio de Janeiro para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Maria Celeste de Lourdes Campos Pedroso, secretária de Nuzman, concedeu depoimento à PF na quinta-feira passada, dia em que o presidente do COB e do Comitê Rio-2016 foi preso. Na oitiva, ela disse que antes mesmo da eleição que definiu o Rio como sede dos Jogos, em 2 de outubro de 2009, Papa Diack começou a fazer contato dizendo que Carlos Nuzman lhe devia pagamentos. O teor do depoimento foi revelado pelo programa Fantástico, da TV Globo, na noite deste domingo (9).

Investigação conjunta do Ministério Público Federal (MPF) do Brasil e do Ministério Público Financeiro de Paris, da França, aponta que o cartola brasileiro seria o responsável por unir as pontas no suposto esquema de compra de votos, que teria contado com a participação de Lamine Diack, que dirigia a poderosa IAAF e tinha assento no COI.

Segundo o Fantástico, Maria Celeste declarou que achava que os pagamentos cobrados por Papa Diack seriam para restaurar pistas de atletismo no continente africano. De acordo com a secretária, o senegalês era insistente. Ela afirmou que Nuzman dizia não saber do que se tratavam os pagamentos e que “não tinha nada a ver com isso”.

No depoimento, de quatro páginas, Maria Celeste declarou ainda que os contatos de Papa Diack aumentaram depois que o Rio de Janeiro foi confirmado como sede dos Jogos de 2016, e que o empresário ligava inclusive de madrugada.

Ela declarou também que, por e-mail, Papa Diack alegou que o dinheiro combinado não havia sido depositado em contas que ele mantinha no Senegal e na Rússia. Maria Celeste disse ter estranhado que o dinheiro que supostamente seria para pistas de atletismo na África ter de ser enviado a uma conta na Rússia.

O senegalês também afirmou em e-mail, incluído na denúncia do Ministério Público Federal (MPF), que tentou sem sucesso falar com um dos diretores do COB, Leonardo Gryner, que é considerado pelo MPF como braço direito de Nuzman e que também está preso provisoriamente.

Um dos advogados de Nuzman, Nélio Machado, negou qualquer participação do dirigente em esquema de compra de votos. “Não participou de nenhum pagamento, não concordou com nenhum pagamento, não tem conhecimento de nenhum pagamento”, afirmou, ao Fantástico. Em nota, a defesa de Gryner também negou a participação do diretor em qualquer negociação.