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“Tive medo de ser o primeiro a não classificar o Brasil à Copa”, admite Tite

  • Por Jovem Pan
  • 05/05/2017 19h36 - Atualizado em 06/07/2017 11h45
Johnny Drum / Jovem PanJohnny Drum / Jovem PanTite fala sobre a preparação para a Copa do Mundo de 2018 em entrevista exclusiva à JP
Tite concede entrevista exclusiva à Jovem Pan

Primeiro técnico já classificado à próxima edição da Copa do Mundo, Tite admitiu ter sentido medo de assumir a Seleção. Em participação exclusiva no especial O Brasil a caminho da Rússia, o treinador revelou ter tido dúvidas em aceitar o convite da CBF. O motivo? Ele temia ser o responsável por não classificar o País ao Mundial pela primeira vez na história – o programa, na íntegra, vai ao ar no próximo domingo, às 10h, na Rádio Jovem Pan. 

Quando eu fui convidado (pela CBF), tinha muitas dúvidas entre aceitar ou não, por uma série de aspectos. Inclusive em relação à posição e ao momento que a Seleção vivia nas Eliminatórias”, admitiu Tite, que assumiu o Brasil fora da zona de classificação ao Mundial, na sexta posição do torneio qualificatório. “Uma coisa que pesava era a possibilidade de ser o primeiro técnico a não classificar a Seleção à Copa. Eu tive medo, sim“.

O temor foi tão grande que, de acordo com o técnico, lhe custou uma noite de sono. “Fui ouvir a direção da CBF no Rio de Janeiro, e, quando cheguei lá, todo aquele sonho borbulhou na minha cabeça. ‘Pô, cara, tu vai ser o técnico da Seleção. Tu conseguiu!’. Mas voltei e me revirei na cama das 2h às 5h. Aí disse: o pepino é muito grande, não vou, não. É muita responsabilidade‘”.

A decisão só foi tomada horas depois da insônia, quando o treinador já estava em São Paulo. “Tinha jogo do Corinthians contra o Fluminense, e eu ainda não sabia se aceitava (o convite da CBF). A minha esposa me olhava, e eu falava que não sabia. Eu queria uma luz. Sou um cara com uma espiritualidade muito grande. Então, orei e decidi, por volta das 14h15, dentro da sala da comissão técnica do Corinthians. ‘Pô cara, é uma oportunidade única. Se não for agora, não vai ser nunca mais’. Aí aceitei“.

As diferenças com Marco Polo Del Nero, presidente da CBF cuja renúncia foi pedida pelo próprio Tite na assinatura de um manifesto em 2015, foram deixadas de lado na reunião que oficializou o convite da entidade. 

“Eu pensava assim: ‘vá, ouça, fale olhando no olho, ouvindo o que ele tem a dizer e veja qual é o objetivo, o que ele vai te propor, quais autonomias você vai ter, quais ingerências vai ter ou não… Mas ouça’. Então, cheguei lá e disse: ‘eu vim aqui para ouvir’. Nós conversamos, e foram me dadas autonomia e possibilidade de montar uma estrutura de equipe“, relatou. 

Menos de um ano depois de dizer “sim” à CBF, Tite tem oito vitórias em oito jogos e a tranquilidade de já ter classificado o Brasil à Copa do Mundo. O torneio será realizado entre junho e julho do ano que vem, na Rússia.

“Família Tite”? Nem pensar!

Foi de uma pergunta que resumia a Seleção Brasileira à “família Tite” que saiu o momento mais marcante do programa gravado nesta sexta-feira.

O técnico rechaçou o termo e, emocionado, disse que “família é sagrada”.

“Não dá para comparar. Dá apenas para trazer alguns conceitos da família para o ambiente de trabalho. Eu morro pelo meu filho e pela minha família, mas não morro por um atleta”, afirmou.

Mundial com o Corinthians ou Copa com a Seleção?

Ganhar um Mundial com o Corinthians ou uma Copa com a Seleção? Tite teve de responder a esta embaraçosa pergunta na tarde desta sexta-feira.

No entanto, o técnico, que ganhou o Mundial de Clubes com o clube alvinegro em 2012, foi “safo” na resposta.

Confira abaixo!