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Dependente químico não tem vaga para tratamento na rede pública de hospitais no Brasil, lamentam especialistas e famílias, hoje, no Dia Mundial da Saúde Mental.“Os transtornos mentais são responsáveis por 18% da sobrecarga global das doenças no país, mas contam com apenas 2,5% do orçamento da saúde”, denuncia o professor JAIR DE JESUS MARI , titular do Departamento de Psiquiatria da Unifesp , professor honorário da Universidade de Londres e membro do Comitê Executivo do Global Mental Health, em artigo publicado hoje, na Folha de S.Paulo. Dependência de álcool e outras drogas é doença mental epidêmica no Brasil, alertam os psiquiatra Pablo Roig e Lucinda do Rosário Trigo, as psicólogas Maria Diamantina Castanheira dos Santos e Maria Lúcia Camões da Costa e os psicoterapeutas Paulo Campos Dias , Alexandre Araújo e Ângelo Sarra, todos integrantes de Jovem Pan Pela Vida, Contra as Drogas, campanha com apoio da Lincx Serviços de Saúde.
Diariamente, recebemos, nesta campanha, pedidos de pais e mães desesperados buscando ajuda, na rede pública, para o tratamento de filhos usuários de drogas. Mas o Ministério da Saúde, a Secretaria Estadual da Saúde e a Secretaria Municipal da Saúde têm uma única resposta para este exército de desesperados : não há vagas. Uma espera para tratamento de dependência química, hoje, em São Paulo, pode demorar até um ano! Ou seja, o paciente morre antes. É um desrespeito à Constituição, que determina tratamento para todos na rede pública, e desrespeito aos direitos humanos.
Desrespeito até a Organização Mundial da Saúde, que em documento divulgado, ontem, na Suíça, determinou: “Todos com problemas mentais, independentemente de cor, classe e diagnóstico, têm direito a tratamento, respeito e dignidade , enfim ser tratado como um semelhante”, defende a OMS .”No entanto, mais de 75% das pessoas com doenças psiquiátricas,nos países em desenvolvimento, não recebem tratamento ou cuidados.“ 3/4 das pessoas com transtornos causados pelo alcoolismo não têm acesso a nenhum tipo de tratamento.”(Documento pode ser lido, na íntegra, no site
http://www.who.int/mental_health/mhgap/en/index.html).
Quantos jovens que se tornaram alcoólatras ou dependentes de outras drogas terão que morrer no país para que o exército, formado suas sofridas famílias, hoje , sem voz junto às autoridades, mas com direito a voto, passe a ser ouvido pelo ministro da Saúde, pelos senadores, pelos deputados, pelos governadores, pelos prefeitos, pelos secretários da Saúde nos estados e nos municípios? Por enquanto, eles estão surdos a esses apelos porque somente 1% dos dependentes químicos em tratamento se recupera. Além de surdos, omissos quanto à qualidade das clínicas particulares que atuam no país. A maioria definida como”depósito de doentes dependentes químicos”, em documento que analisou a qualidade do atendimento ao dependente químico no Brasil e apresentado pelo psiquiatra Pablo Roig em evento internacional sobre saúde mental realizado na Argentina. Da mesma opinião é o presidente da ONG INTERVIR, psicoterapeuta Alexandre Araújo: "Infelizmente,no Brasil, os pais têm que ficar observando seus filhos irem a óbito de forma lenta e dolorosa."
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