A eterna guerra Brasil x Argentina
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Texto: João Antonio de Carvalho
Vozes: José Luiz Menegatti e David Roque
Sonorização: Aloisio Mathias
Todos anseiam a paz mundial, mas os grandes conflitos e as grandes guerras na história nunca serão esquecidas.
Quem pode esquecer da primeira vez que a paz foi abalada, com a Primeira Guerra Mundial, que durou de 1914 a 1918?
Quantas vidas foram perdidas na luta entre a Tríplice Entente, formada por França, Inglaterra e Rússia, contra a Tríplice Aliança, com Alemanha, Itália e Japão.
E o conflito maior, a Segunda Grande Guerra, que durou de 39 a 45 e vitimou mais de 50 milhões de pessoas?
Mais uma vez Alemanha, Itália e Japão se juntaram, formando o Eixo, e foram combatidos pelos Aliados: Estados Unidos, Inglaterra e França.
Como não lembrar da Guerra Fria, que durante quase quarenta anos deixou um suspense no ar, com as constantes ameaças de americanos e soviéticos.
Podemos lembrar de outros conflitos, como o de judeus e palestinos, a Guerra do Golfo, a do Vietnã e o conflito Irã-Iraque.
Mas existe outra guerra, que já dura mais de noventa anos, que já teve vários capítulos, e que terá mais um nessa quarta-feira.
Uma guerra que não fez vítimas fatais, mas já teve duelos bélicos e até sangrentos no decorrer desses anos.
Uma guerra não santa, uma guerra de muitas batalhas, uma guerra muito mais do que esportiva, mas de convicções nacionalistas.
Pergunte ao brasileiro qual seu pior inimigo e a reposta está na ponta da língua: os hermanos argentinos.
E do outro lado, não poderia ser diferente, os macaquitos brasileños.
Nessa batalha não existe trégua, mesmo quando Carlos Alberto Parreira fala em amistoso de luxo.
Isso não existe e nunca vai existir entre essas duas seleções, que quando estão frente a frente se transformam em inimigos mortais.
Como falar para a Tríplice Entente, formada por Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho, ter piedade da Tríplice Aliança, que tem Ayala, Heinze e Samuel.
E do outro lado, o Eixo formado por Riquelme, Saviola e Crespo, não dará trégua aos Aliados Juan, Roque Júnior e Émerson.
E nessa Guerra Fria, qual a arma mais poderosa, a bomba atômica de Roberto Carlos, ou o sentimento nacionalista argentino?
Nessa hora o passado volta a lembrar duelos como o 0 a 0 da Copa de 78, quando Chicão, o Monstro de Rosário, teve de mostrar todas as suas armas.
Ou o 1 a 0 da Copa de 90, quando o Brasil jogou melhor, mas Claudio Caniggia foi o carrasco, recebendo a munição de Diego Maradona.
Num duelo em que o ingênuo lateral Branco, aceitou água batizada pelo inimigo e terminou sofrendo tonturas e quase desmaiando em campo.
Ou do jogo teoricamente amistoso em 1920, protagonizado apenas por oito jogadores de cada seleção.
Pois vários brasileiros se recusaram a entrar em campo depois de lerem um jornal em que eram tratados como macacos pela imprensa argentina.
E como só oito jogadores do Brasil se dispuseram a jogar, a Argentina, querendo uma guerra justa, entrou com o mesmo número e venceu por 3 a 1.
E a batalha do estádio do Gasômetro, em Buenos Aires, durante a Copa América de 46, quando o brasileiro Jair fraturou a perna do argentino Salomón.
A torcida invadiu o campo, jogadores brasileiros foram agredidos, o jogo paralisado por uma hora e quinze e no final, 2 a 0 para a Argentina.
Momentos de tensão que serão revividos nessa noite, quando de novo, estarão frente à frente os rivais eternos, Brasil e Argentina.
(08/6/2005)
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