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Maldini: duas décadas de paixão


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Texto: Bruno Vicari
Vozes: José Luiz Menegatti e David Roque
Sonorização: Aloisio Mathias



Em época de transações milionárias do futebol mundial, ouvimos falar que a realidade do esporte é movida por dinheiro e que não existe mais amor ao clube.

Jogadores trocam de time, beijam o símbolo do arquiinimigo e decepcionam o torcedor apaixonado.

Mas o italiano Paolo Maldini é o oásis de fidelidade neste deserto de profissionalismo.

No vocabulário de Maldini não existem expressões como "proposta irrecusável", "compensação financeira" ou "rescisão de contrato".

Existe apenas o sentimento apaixonado e o carinho pela camisa de seu clube, cada vez mais escassos no futebol profissional.

Hoje o zagueiro completa 20 anos de amor e dedicação ininterruptos ao Milan.

A história de Paolo no time principal do Milan começa em 20 de janeiro de 1985.

Com apenas 16 anos, o garoto estava no banco de reservas, quando o técnico suéco Niels Liedholm, ex-zagueiro do time, o chamou e disse:

"Entre e jogue. Isto é apenas um jogo!"

E o pequeno Maldini entrou, jogou e continua jogando e encantando até hoje.

Na época o lateral-esquerdo tinha um pedigree de dar inveja: era filho de Cesare Maldini, um dos grandes capitães da história do clube, entre as décadas de 50 e 60.

O "bambino" cresceu, tornou-se "ragazzo" e virou um dos grandes defensores do mundo, daqueles que jogam com a cabeça levantada, peito estufado e classe invejável.

Em 1997, após a aposentadoria de Franco Baresi, outra lenda do Milan, Maldini assume a braçadeira de capitão, que um dia fora de seu pai.

Assim como seu mestre Cesare, Paolo levou para o San Siro os maiores troféus do futebol mundial:

Foram 7 Campeonatos Italianos, 4 Ligas dos Campeões, 2 Mundiais Interclubes, 1 Copa Itália, 4 Supercopas Italianas e 3 Supercopas Européias.

Além de troféus, Maldini ganhou da torcida o título mais nobre que um jogador pode ostentar no futebol italiano.

O capitão é considerado pelos "tifosi" a bandeira do Milan.

Para um jogador alcançar tal status, precisa preencher alguns requisitos.

Tem que ser nascido na cidade do clube, ter vestido apenas a malha de seu time, ter conquistado títulos, e claro, ser um apaixonado pela esquadra.

Maldini é mais que isso: é a personificação exata do hino de seu clube.

"Milan, só com você e sempre por você"

Talvez a melhor definição da carreira de Maldini, tenha vindo do próprio jogador, que certa vez afirmou:

"Se quando eu fosse pequeno tivesse a oportunidade de ter escrito a minha história, a história mais bonita que eu poderia imaginar, teria escrito exatamente como está acontecendo no momento".

Sem dúvida uma história bonita e que ainda irá demorar para ter seu último capítulo.

Não que o eterno capitão, hoje com 36 anos, ainda queira jogar por muitas temporadas.

Paolo sabe que a aposentadoria está próxima, mas a dinastia Maldini continuará firme no clube "rossonero".

Christian Maldini, filho de Paolo e neto de Cesare, já treina nas categorias de base do clube.

A camisa não será a 3 de seu pai, ou a 4 de seu avô: o garoto, quer a 9, quer marcar gols.

Independente do número ou da posição, o milanista sabe que a malha de seu clube estará em boas mãos.

E o apaixonado pelo futebol pode ter certeza de que ainda existe jogador capaz de amar um só clube.

Maldini é a prova disso.
















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