Seguem as dúvidas sobre morte de Serginho
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Texto e voz: Thiago Uberreich
Sonorização: Reginaldo Lopes
As dúvidas, os questionamentos e as controvérsias ainda cercam a morte do zagueiro Serginho, do São Caetano, que completa um ano nesta quinta-feira.
Muitas perguntas feitas no dia 27 de outubro de 2005 permanecem no ar, sem resposta.
O jogador do time do ABC caiu de repente, aos 14 minutos do segundo tempo da partida contra o São Paulo, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro.
Não demorou muito para o público e, principalmente os jogadores, perceberem a precariedade do atendimento médico do estádio.
Serginho sofreu um ataque cardíaco no gramado: apesar dos esforços e da transferência para o hospital São Luiz, veio a informação, lamentada pelo médico do São Paulo, José Sanchez.
O caso é até hoje, um ano depois, motivo de muita discussão: de quem é a responsabilidade pela morte?
O então presidente do São Caetano, Nairo Ferreira de Souza, e o médico Paulo Forte são acusados por homicídio doloso, crime com intenção de matar.
O promotor público Rogério Leão Zagalo foi o responsável pela denúncia: o processo corre em segredo de justiça.
Ele dá exemplos de que não tem dúvidas de que o problema cardíaco do atleta era sim conhecido.
O promotor contabiliza uma vitória: a denúncia de homicídio qualificado foi aceita pela Justiça.
A expectativa é a de que apenas no fim de 2006 o juiz possa tomar a decisão e mandar o caso a júri popular. Por enquanto, mais testemunhas serão ouvidas.
Até agora, somente o Superior Tribunal de Justiça Desportiva condenou os dois representantes do São Caetano.
Afastado do clube por dois anos, Nairo Ferreira de Souza prefere não falar com a imprensa.
Na época, ele negou que o jogador tivesse assinado um documento, atestando possíveis problemas no coração.
Diferente do gancho de Nairo Ferreira de Souza, o médico Paulo Forte foi suspenso pelo STJD por quatro anos.
O advogado dele, Cid Carvalhaes, não muda de versão.
Mas na história existe um outro componente: o Instituto do Coração, que travou um jogo de responsabilidades com o São Caetano.
No Incor, em fevereiro de 2004, Serginho fez uma bateria de exames, que teriam indicado irregularidades no coração.
O cardiologista Edimar Boqui, que comandou os testes, agora prefere adotar o silêncio.
Na tentativa de amenizar a dor pela perda do marido, Helaine Cristina criou o Instituto Serginho.
A entidade é voltada para crianças carentes da cidade mineira de Coronel Fabriciano, onde ele foi enterrado.
A viuva do zagueiro também é reticente em falar sobre o caso: um dia depois da morte do jogador ela procurava explicações.
Helaine Cristina e o filho Paulo Sérgio recebem 60 mil reais do São Caetano. O clube esticou o prazo do contrato até fevereiro.
Ela sempre manteve a versão de que o presidente Nairo Ferreira e o médico Paulo Forte não sabiam de nada.
O futuro do processo, só a justiça pode responder.
Como lição, os estádios foram obrigados a ter ambulância equipada e uma pequena sala de cirurgia a bordo, sem falar nos desfibriladores.
Antes de tudo, no entanto, a morte de Serginho serviu para humanizar a figura do jogador de futebol.
(27 de outubro de 2005)
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