A presidente Dilma Rousseff criticou nesta quinta-feira os métodos utilizados pelos policiais em greve na Bahia e rejeitou a possibilidade de anistia aos acusados de vandalismo.
"Por reivindicações, as pessoas não podem ser presas nem condenadas. Agora, por atos ilícitos, por crimes contra a pessoa e a ordem pública, não podem ser anistiadas" afirmou a chefe de Estado em declarações a jornalistas.
"Eu não considero que o aumento de homicídios na rua, queima de
ônibus e a entrada em coletivos encapuzados seja uma forma correta de conduzir o movimento", disse a governante.
Dilma se pronunciou sobre o caso após as redes de televisão divulgarem conversas telefônicas nas quais o principal líder dos grevistas, Marco Prisco, coordena com outro policial o incêndio de dois caminhões para bloquear uma importante estrada da Bahia durante a greve que completa dez dias nesta quinta-feira.
"Fiquei estarrecida quando vi gravações sobre o fato de que há outros interesses envolvendo a paralisação. Isso não é correto", disse Dilma. Nas conversas, os policiais planejam estender a greve para outros estados do país, começando pelo Rio de Janeiro.
Após a divulgação da gravação, os 245 policiais entrincheirados desde terça-feira da semana passada na sede da Assembleia Legislativa da Bahia abandonaram a edificação pacificamente e se dirigiram para outros locais de concentração.
Os cerca de mil militares que cercavam a Assembleia Legislativa desde domingo só detiveram dois líderes dos grevistas, entre eles Prisco, contra o qual foi expedido ordens de prisão por ele supostamente ter condenado atos de vandalismo.
Os policiais esperam se reunir nesta quinta-feira com representantes do governo para tentar um acordo que ponha fim à paralisação.
Apesar do governo estadual ter oferecido um aumento salarial próximo ao pedido pelos grevistas, os policiais decidiram manter a paralisação em função da recusa do governador da Bahia, Jacques Wagner, de anistiar a todos.
Wagner disse que estava disposto a anistiar os policiais que participaram pacificamente das manifestações mas não aos responsáveis por atos de vandalismo.
Segundo a secretaria de Segurança Pública da Bahia, nos dez dias de paralisação foram registrados em Salvador 146 homicídios, mais do que o dobro dos dez dias anteriores.
Agência EFE