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“A cada minuto um jovem abandona a escola no Brasil”, revela secretário do MEC

  • Por Jovem Pan
  • 17/10/2017 17h41

Marcos Santos/USP Imagens

Pesquisa sobre evasão escolar revela que pouco mais da metade dos jovens concluirá o Ensino Médio, com no máximo, um ano de atraso no Brasil

Ao menos 27% dos jovens ou quase 3 milhões de alunos, com idades entre 15 e 17 anos, não vão se matricular no início do ano letivo de 2018. As razões são ou porque abandonaram os estudos ou porque foram excluídos da escola pela reprovação. O levantamento elaborado pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com a Fundação Brava, Instituto Unibanco e Insper, mostra que pouco mais da metade concluirá o Ensino Médio com, no máximo, um ano de atraso. Além disso, há o desperdício de 35 bilhões por ano aos cofres públicos.

Em entrevista à Jovem Pan, o secretário de educação básica do MEC, Rossieli Soares da Silva, revelou que os dados não são novidades. “Durante toda a discussão da reforma do Ensino Médio foi alertado que o Ensino Médio está falido. Se continuarmos fazendo mais do mesmo continuaremos produzindo isso: grande número de abandono, meninos que se formam sem saber o por que e um pequeno número que vai para a universidade. Ou seja, um Ensino Médio sem sentido”, explicou o secretário.

Novo Ensino Médio

Defensor da proposta do novo Ensino Médio, Rossieli Soares da Silva enfatizou que “a cada minuto um jovem abandona a escola no Brasil. Isso não pode ser aceito por absolutamente ninguém”.

O secretário do MEC também ressaltou que os jovens fazem escolhas e o abandono é uma das razões pela qual esse público entende que a educação não é boa. “Estamos jogando fora a possibilidade de esses jovens contribuírem para a sociedade. O novo Ensino Médio é um dos caminhos para trazer resultados a médio prazo para o Brasil.

Questionado sobre a discussão da Base Nacional Curricular Comum (BNCC),  dos ensinos infantil e fundamental, que ainda está em discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE), Rossieli Soares da Silva enfatiza que o processo não é simples e que o MEC trabalha para entregar a base do Ensino Fundamental até o final de 2017. Posteriormente, no início de 2018, deverá ocorrer o encaminhamento da base do Ensino Médio. “Já temos estados que trabalham na flexibilização de seus currículos, mesmo antes da base estar pronta. É fundamental criar evidências, pois não há como construir uma política que não vai trazer retorno”, ressaltou o secretário.

Para Rossieli Soares da Silva, o processo de construção coletiva também deve ser feito na comunidade escolar. “O MEC pode dar apoio e estamos discutindo com os secretários de estado do Brasil, apresentamos por duas vezes uma proposta de implementação do novo Ensino Médio… a nossa expectativa é que o ciclo de implementação seja em 2018, 2019 e 2020 até por toda a complexidade que a educação brasileira tem”, admitiu.

*Com informações da repórter Carolina Ercolin