Ex-capitão do Bope: segurança pública é problema governamental e não de instituições policiais

  • Por Jovem Pan
  • 12/02/2018 15h40
Divulgação/Site OficialO ex-capitão do Bope criticou também a ida a Europa do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, para buscar "soluções tecnológicas" para o problema da segurança pública na cidade

O Rio de Janeiro vive uma rotina de notícias sobre a violência na cidade e, no carnaval, não é diferente. Uma das festas mais tradicionais do país teve arrastão em Ipanema, entre outros casos de assaltos e trocas de tiros durante os eventos.

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, o ex-capitão do Bope Paulo Storani afirmou que, ao longo de 30 anos, a aposta na polícia para resolver a questão da segurança pública foi um erro e a situação tende a um colapso.

“Um equivoco muito grande por parte da Constituição de 88, que vê segurança pública como um problema de instituições policiais e não da própria instituição governamental, de que se você investir na melhor educação e criar uma condição de mobilidade social, fazer com que a criança, o jovem e adolescente tenha o sentido de conviver em sociedade e não tomar do outro o que não lhe pertence, lógico que você vai ter, no futuro, daqui uma geração, comportamentos diferentes”, disse Storani.

O ex-capitão do Bope criticou também a ida a Europa do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, para buscar “soluções tecnológicas” para o problema da segurança pública na cidade. Segundo ele, não era o momento. E ainda disse que, apesar de ser importante, não vai resolver todas as deficiências.

“A tecnologia é fundamental porque, muito bem utilizada dentro de um plano específico, você pode não contar com o efetivo necessário para uma atividade de policiamento ostensivo quando você tem o suporte da tecnologia, seja de que forma for. Como não há investimento e o Brasil tem uma história de não investir em tecnologias, sempre se aposta no efetivo policial, na presença física do policial”, explicou.

“É um problema grave que nós experimentamos hoje. Em relação ao plano que foi apresentado, embora ele tenha vindo ao encontro dessas necessidades, não resolve definitivamente o problema”, completou.

Para Storani, as eleições de 2018 são fundamentais para se estabelecer um marco de mudanças no país. O ex-capitão do Bope vê a necessidade de não prorrogar por mais quatro anos um discurso vazio e discussões muito mais ideológicas em suas propostas do que realmente ações que possam resolver o problema. “Nós temos que pensar nisso e temos que repensar nesse modelo que está acontecendo no país para nós colocarmos um rumo”, finalizou.

*A entrevista é de Thiago Uberreich