Cerca de 100 milhões de litros de leite podem ter sido contaminados com ureia e formol durante o transporte no Rio Grande do Sul. A fraude foi detectada em cinco lotes da marca Italac Integral, um do Italac Semi-desnatado e outro do Bom Gosto/Líder Integral.

Além destes, um lote do leite Mumu Integral e um do Latvida Desnatado, com fabricação em 16 de fevereiro deste ano e validade até 16 de junho. A suspeita é que o produto adulterado tenha sido comercializado não só nos mercados gaúchos, mas também no Paraná e em São Paulo.

Oito pessoas acusadas de participar do esquema de fraude foram presas pela operação Leite Compensado, da Polícia Civil e do Ministério Público. Para ganhar em volume, os suspeitos adicionavam água na composição do leite e, para compensar a perda de nutrientes, colocavam ureia e formol.

A uréia pode provocar problemas renais e o formol é considerado cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde. O promotor de Defesa do Consumidor do Rio Grande do Sul, Alcindo Luz Bastos, revelou ao repórter Paulo Pontes como a adulteração foi descoberta.

O diretor-executivo da Associação da Indústria do Leite Longa Vida, Nilson Muniz, afirma que a suspeita já existia desde o ano passado. Ele disse ao repórter Anderson Costa que o controle de qualidade será reforçado após o episódio e garante que não há mais leite contaminado à venda.

Segundo a investigação, os suspeitos compraram 98 toneladas de uréia, quantidade suficiente para contaminar 100 milhões de litros de leite. O especialista em nutrição pela Universidade de São Paulo, Gabriel Cairo, explica o porquê do uso de fertilizante na fraude.

O toxicologista e apresentador do programa “A Verdade Sobre as Drogas”, Anthony Wong, destaca que, mesmo se o leite for fervido, a contaminação não será extinta. O médico do Hospital das Clínicas esclarece os principais problemas provocados pela ingestão do produto com uréia e formol.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores do Leite, George Rubez, reconhece que não é fácil detectar este tipo de fraude. Ele explicou que o laboratório do Ministério da Agricultura é o único que pode localizar o problema e diz que a fiscalização deve ser ampliada.

O Ministério Público não apontou o envolvimento das indústrias na fraude, mas fala em negligência. Já as empresas dizem que são vítimas dos transportadores, e que o problema aconteceu antes de o leite cru ser industrializado.

Em nota, Latvida, Mumu, Líder e Italac afirmaram que já tiraram os lotes contaminados do mercado. O Ministério da Justiça notificou as empresas para prestarem esclarecimento sobre o leite contaminado.

Das oito pessoas presas acusadas de participar do esquema de fraude do leite, duas já foram liberadas. Confira abaixo os lotes de leite UHT que apresentam interferência de formol, segundo o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul:

Italac Integral
Lotes: L05KM3, L13KM3, L18KM3, L22KM4 e L23KM1

Italac Semidesnatado
Lote: L12KM1

Bom Gosto/Líder UHT Integral
Lote: TAP1MB

Mumu UHT Integral
Lote: 3ARC

Latvida UHT Desnatado
Lote: fabricado em 16 de fevereiro de 2013 e validade até 16 de junho de 2013