A principal linha de investigação da chacina que deixou 12 mortos na madrugada de domingo para segunda (12) em Campinas considera o envolvimento de policiais militares nos crimes.

Isso porque na tarde de sábado (11), um PM morreu durante uma tentativa de assalto no bairro de Ouro Verde, bem próximas às regiões oeste e sudoeste da cidade do interior, onde ocorreu a dúzia de assassinatos.

“Nós já tivemos situações parecidas aqui na capital, em que policiais foram assassinados e, na mesma região, logo em seguida, houve chacinas”, disse o presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB, Arles Gonçalves Junior.

A maioria das vítimas foi morta em duas chacinas. Os relatos são de homens encapuzados que usaram pistolas 380 e 9 milímetros para efetuar disparos contra a cabeça e rosto das vítimas. Foram recolhidas 15 cápsulas do local, onde quatro pessoas, entre 17 e 30 anos, foram mortas no Recanto do Sol 2.

No bairro Vida Nova, também na periferia de Campinas, cinco pessoas, entre 20 e 24 anos, foram mortas em um único ataque. As outras três vítimas foram mortas sozinhas.

A Ordem dos Advogados acompanhará as investigações. “A princípio, pelo que eu ouvi na reportagem e pelo que eu conversei com o pessoal da Polícia Civil, há indícios de que há envolvimento de policiais, mas isso não está certo, precisa ser apurado” pregou Arles, que disse ser preciso “verificar também se não foi alguma represália com relação à questão de tráfico de entorpecentes”.

Ele ressalta, no entanto, que apenas a possibilidade de ter havido envolvimento policial “nos preocupa muito, é uma violência descabida e desmedida”.

Já o delegado Licurgo Costa, diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter), diz que ainda se investiga o latrocínio do policial que teria causado as chacinas.

“Nossos policiais do setor de homicídios e da DIG Estão tentando esclarecer a autoria do crime que vitimou o policial militar por volta do meio-dia, que foi no posto de gasolina”

“São fatos que poderão ter relação? Sim. Poderão não ter? também”, questiona Licurgo. “Enfim, é muito prematuro, nós temos que trabalhar bastante”.

(Foto: Delegados do DHPP de São Paulo chegam a Campinas para auxiliar nas investigações)

Entre os mortos, sete possuíam passagens na justiça por roubo e tráfico de drogas.

“Independentemente da sua passagem pela polícia, o que nos importa é que houve uma chacina, houve mortes, e a polícia não pode deixar isso impune”, reafirma o delegado.

O governador Geraldo Alckmin também se pronunciou sobre o caso e afirma que a polícia está empenhada em “rapidamente esclarecer e prender os criminosos”.

Uma força-tarefa da Polícia Civil, com seis delegados, foi montada para tentar elucidar os dois crimes. Eles ouvem familiares das vítimas.

Reação

Três ônibus foram incendiados na segunda-feira em protesto contra a onda de mortes

um grupo de cerca de 300 pessoas incendiou três ônibus e depredou sete coletivos em um protesto contra os crimes da madrugada anterior.

 

(Foto: Folhapress)

 Com informações complementares da Agência Brasil