No áudio de pouco mais de 38 minutos da conversa gravada entre Michel Temer e Joesley Batista, dono da JBS, em março deste ano, o presidente demonstra estar muito tranquilo por um resultado positivo em processo contra ele que corre no TSE - e que pode cassar a chapa Dilma-Temer.

Em determinado momento, Joesley questiona o peemedebista: "e no TSE, como é que tá (sic)?". Temer, então, se refere ao processo como "um troço meio maluco", além de listar motivos para que ele saia com os seus direitos políticos ilesos ao fim do julgamento, marcado para 6 de junho.

"A minha cassação não passa, porque eles têm uma consciência política, sabe. Porra, mais um presidente [cair]?", diz, reforçando a "improcedência", segundo ele, da ação. 

Relembre o caso

Em março deste ano, o vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, havia pedido em parecer a cassação da chapa Dilma-Temer e que apenas Dilma fosse considerada inelegível.

Depois da manifestação, o TSE decidiu no dia 4 de abril reabrir a fase de coleta de provas do processo, com a marcação de mais quatro depoimentos - do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, do marqueteiro João Santana, da empresária Mônica Moura, e de André Santana, assistente do casal.

Em depoimentos ao ministro Herman Benjamin, Mônica Moura e João Santana alegaram que Dilma sabia do uso de caixa 2 na sua campanha à reeleição - mas ressaltaram que não trataram de assuntos financeiros com Temer. Este é um dos principais argumentos de Dino para justificar o pedido de que Dilma seja considerada inelegível, mas não o presidente.

Em um novo parecer encaminhado na última sexta-feira ao TSE, Dino voltou a pedir a cassação da chapa Dilma-Temer. Se os ministros acompanharem o entendimento de Dino, cassando a chapa e tornando apenas Dilma inelegível, o Temer poderia concorrer numa eleição indireta.