Após quase 5 horas de depoimento em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu ao juiz  federal Sergio Moro, sobre a ação penal envolvendo o caso do "Tríplex do Guaruja", a equipe de advogados concedeu entrevista coletiva, em um restaurante em Curitiba, e revelou os principais pontos abordados no depoimento. De acordo com o advogado José Roberto Batochio, Lula respondeu todas as questões referentes ao tríplex do Guarujá. Segundo ele, os documentos comprovam que o imóvel está em nome da construtora OAS. "Há dois anos essa imóvel é investigado pela justiça e todos os documentos estão em nome da OAS", disse Batochio. 

Segundo o advogado, o apartamento "não pertence e nunca pertenceu" ao casal Lula e Dona Marisa Letícia. Portanto não há provas cabais para incriminar o petista.

Batochio afirma que até criou um nome para o imóvel. "Diante das faltas de evidências, eu chamo esse apartamento de Manuel Bandeira, 'aquele que teria sido, mas nunca foi'"

A defesa ressalta que o ex-presidente foi orientado a responder apenas perguntas sobre o tríplex. Logo, questões políticas estavam foram da pauta e mesmo assim as perguntas de Moro foram muito repetitivas. "Sempre tentando fazer alguma menção a conduta pública do reú". O que mais uma vez não se comprovou. Além disso, segundo os advogados, a propriedade está situada no estado de São Paulo, e não haveria razões para que o julgamento acontecesse em Curitiba. Por isso, Lula seria alvo de perseguição política. 

De acordo com os advogados de Lula, o processo tratava exclusivamente ao caso do tríplex, no edíficio Solaris. Portanto as perguntas sobre o sítio de Atibaia não puderam ser respondidas. 

"Tralhas" do acervo nacional

A equipe de defesa de Lula também salienta que Lula é acusado sobre o envolvimento com o acervo presidencial. Segundo Batochio, o acervo é composto de placas, medalhas, livros, e demais mimos recebidos pelo presidente da República. As peças seriam patrimônio cultural do País, mas há um decreto que regula o tratamento dado aos objetos e que, na verdade, pertencem ao presidente. "O ex-presidente que recebeu está obrigado a manter sua conservação e preservação para que se mantenha um referencial da história e cultura do País. Óbvio, que esse volume alcança até 10 containers e o presidente chama isso 'com muita graça' de tralhas. O presidente não teve nenhum envolvimento direto com o transporte. A assessoria e os funcionários estatais se envolveram diretamente. Mas as perguntas sobre esse tópico foram praticamente inexistentes. Afinal, é um despropósito se processar um ex-presidente da República alegando que ele recebeu dinheiro de empresas nacionais para o transporte e armazenamento", disse Batochio à imprensa.