O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou para julgamento a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato.

O senador é acusado de ter recebido R$ 500 mil para a sua campanha ao Senado em 2010, que teriam sido desviados do esquema de corrupção instalado na Petrobras. Ele nega irregularidades.

A denúncia será julgada pelos cinco ministros que compõem a Segunda Turma do STF: Fachin, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello. A data do julgamento ainda não foi definida.

Raupp é próximo do presidente Michel Temer e já ocupou a presidência do PMDB. Agora, é tesoureiro ajunto do partido.

Na época em que a PGR ofereceu a denúncia, o senador disse que o Ministério Público apresentava uma "equivocada interpretação dos fatos" e que aguardava "serenamente a instrução do processo, certo de que a fragilidade das provas e dos argumentos apresentados conduzirão à sua absolvição".

Acusações

Segundo informações das delações premiadas do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, o dinheiro (R$ 500 mil) chegou aos cofres da campanha do peemedebista por meio de uma doação legal feita pela construtora Queiroz Galvão e pela Vital Engenharia.

Além dessa denúncia, o peemedebista também é alvo de uma investigação no STF por suspeita de desvios na construção da hidrelétrica de Belo Monte, ao lado de outros nomes da cúpula do PMDB, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL). Nesta quinta-feira (16), a Polícia Federal realizou operação relacionada a este caso.

Em delação de Sérgio Machado, Raupp também é acusado de participar de suposta operação de captação de recursos ilícitos junto a Michel Temer para a campanha de Gabriel Chalita em São Paulo.