O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), admitiu nas redes sociais que ajudou o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), a tomar a decisão de anular o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"Natural que o deputado Waldir Maranhão, sendo do meu Estado, peça minha opinião sobre temas relevantes. Como eu peço a ele também. Juridicamente, a decisão do deputado Waldir Maranhão é centena de vezes mais consistente do que o pedido do tal 'impeachment'", escreveu em sua conta no Twitter. "Realmente fico perplexo como alguém pode inventar essa tese de "pedaladas" e meia dúzia de decretos orçamentários como causa de impeachment".

"Defensores do 'impeachment' não querem aceitar que o presidente da Câmara dos Deputados tome decisões. Só vale quando é para um dos lados?", escreveu também o governador do Maranhão em alusão ao presidente afastado pelo STF Eduardo Cunha (PMDB-RJ).  Ele disse ainda ter "orgulho de defender a Constituição, o Estado de Direito e a Democracia" e apoiar a decisão do deputado.

"Decisão do presidente Waldir Maranhão reconheceu vícios jurídicos no procedimento ANTERIOR à votação no Plenário da Câmara", disse ainda Dino. "Decisão de Waldir Maranhão decorreu de recurso proposto pela AGU há muitas semanas. O Senado perguntou qual a decisão. Waldir respondeu", argumentou.

"Em impeachment, é incabível 'orientação de bancadas' e partidos 'fecharem questão'. Isso viola liberdade dos 'julgadores' (parlamentares)", pontua também o pecedobista. "Decisão de Waldir Maranhão tem amparo em jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos, presidida por um jurista brasileiro", disse.

Articulação

A decisão de Maranhão de anular o processo de impeachment foi costurada nos mínimos detalhes com o governador Flávio Dino. Neste domingo, Dino esteve com o deputado em São Luís, em encontro em sua residência. No fim da tarde, os dois pegaram um aviação da FAB e seguiram para Brasília, onde escreveram a decisão que atende a um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU).

Foi Flávio Dino quem convenceu Maranhão a votar contra o impeachment. O governador prometeu a ele um lugar como candidato ao Senado em 2018, além de poder vir a assumir a Secretaria de Ciência e Tecnologia no Maranhão.

Ainda no Twitter, Flávio Dino afirmou também que não há motivo legal para o impeachment e o que o processo, que já se estende desde dezembro, só serviu para "paralisar o País, fragilizar a imagem do Brasil no mundo e dividir a Nação". "Realmente fico perplexo como alguém pode inventar essa tese de 'pedaladas' e meia dúzia de decretos orçamentários como causa de impeachment", disse.