Secretário de Defesa Agropecuária diz que não há risco sanitário na carne

  • Por Jovem Pan com Estadão Conteúdo
  • 19/03/2017 16h40
Divulgação/MAPA Luis Eduardo Rangel diz que prioridade é tranquilizar a sociedade após denúncias da Carne Fraca

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luis Eduardo Rangel, disse que não existe risco sanitário na carne brasileira e que as questões apontadas pela operação Carne Fraca não trazem risco para a população nem para as exportações. “Não existe risco sanitário e num primeiro momento a ideia é que possamos reagir rapidamente para tranquilizar a sociedade”, afirmou, ao chegar ao Palácio do Planalto para reunião com o presidente Michel Temer e representantes do setor.

Rangel disse que o ministério está preparado para reagir rapidamente e informou que serão anunciadas medidas administrativas a serem adotadas ainda nesta semana pela Pasta. Ele disse que nenhum país suspendeu a importação da carne brasileira. “Os países estão esperando uma comunicação oficial do governo brasileiro. É o que vamos fazer com o presidente”, afirmou.

O secretário disse ainda que o ministério vai fazer avaliações e que tem sistemas de rastreabilidade e poderá retirar mercadorias de circulação, caso seja necessário.

O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Martins, disse que pode ter havido exagero e pirotecnia na Operação Carne Fraca. “Com certeza tem exagero, pelo número de policiais envolvidos”, afirmou, ao chegar ao Planalto. Ele disse que os produtores rurais também são vítimas do esquema descoberto pela Operação Carne Fraca e que é importante dar uma satisfação imediata ao povo brasileiro. “Tem que ser e vai ser esclarecido. Tem que saber que 80% da produção de carne fica aqui dentro e a população tem que ter a mesma qualidade da exportação”, afirmou.

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan neste sábado (18), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento minimizou as fraudes no mercado de carnes no Brasil descobertas pela Operação Carne Fraca da Polícia Federal (PF), que teria atingido apenas uma pequena porcentagem da produção, com adulteração e venda de carne vencida, uso irregular de carne de porco e até de papelão na confecção de produtos alimentícios.

Ao mesmo tempo, Blairo Maggi reconheceu que “voltamos dez casinhas para trás” e que “não será uma tarefa fácil” recuperar a imagem do Brasil no mercado internacional. 

“Nós temos um sistema importante, robusto, porém comandado por pessoas. E quando uma pessoa se corrompe numa linha dessa, infelizmente o Brasil inteiro paga uma conta, não são só os produtores, tem a imagem do País, a desconfiança inclusive dos consumidores internos”, reconheceu Maggi.

Ouça a entrevista completa AQUI.

Reuniões

O presidente Michel Temer iniciou por volta de 14h30 a primeira de três reuniões marcadas para este domingo para discutir a crise aberta pela Operação Carne Fraca. Temer se reúne inicialmente com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

Em seguida, às 15, o presidente recebe os representantes do setor de produção de proteína animal, como os presidentes da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Antonio Camardelli, da ABPA (Associação Brasileira da Proteína Animal), Francisco Turra, além do presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), João Martins. O Palácio do Planalto ainda não confirmou a lista completa dos participantes.

Às 17h, o presidente encontra embaixadores de países consumidores da carne brasileira. O governo está preocupado com a repercussão negativa da operação e o impacto que ela poderá ter na exportação de produtos nacionais. A intenção é anunciar novas medidas que levem maior segurança à população brasileira e também ao consumidor do mercado externo em função da Operação Carne Fraca.

Vários países estão exigindo explicações do Brasil por conta das denuncias entre eles, estados Unidos, e China, grandes compradores do Brasil, além da União Europeia. Ontem, o ministro Blairo Maggi determinou que três funcionários da Consultoria Jurídica do ministério viajassem para Curitiba (PR), onde estavam centralizadas as investigações da PF, a fim de obter laudos periciais dos produtos relacionados na operação. Técnicos da área de Inspeção Sanitária trabalharam neste sábado, 18, para obter detalhes do processo que tem 350 páginas.

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