Em sua declaração à imprensa nesta quinta-feira (18), o presidente Michel Temer negou que tenha dito à Joesley Batista para continuar pagamentos que calassem o ex-deputado Eduardo Cunha para que este não realizasse delação premiada.

Sem citar nomes, o presidente, que não renunciou ao cargo, disse: “ouvi realmente o relato de um empresário, que por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário”.

Em conversa gravada pelo dono da JBS (o “empresário” citado por Temer no pronunciamento), o presidente teria aprovado a compra de silêncio de Cunha, que está preso no âmbito da Operação Lava Jato. A informação foi fornecida à Procuradoria-Geral da República pelos donos da frigorífica, Joesley e Wesley Batista, em delação premiada.

“Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima, exata e precisamente, porque não temo nenhuma delação”, disse em sua defesa em rede nacional de rádio e TV.

As delações foram homologadas mais cedo nesta quinta-feira pelo ministro do Supremo Edosn Fachin.

Na gravação, segundo a delação premiada, Joesley Batista informa ao presidente da República que estava pagando a Cunha e ao operador Lúcio Funaro, dentro da prisão, um valor para evitar que eles fizessem delação premiada. Na gravação, Michel Temer teria dito: "tem que manter isso, viu?".

A gravação teria sido feita em março deste ano. Em outra gravação no mesmo mês, Temer também indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver assuntos da J&F (controladora da JBS). Uma gravação posterior, então, registrou a entrega de uma mala de R$ 500 mil em dinheiro enviada, a pedido de Joesley, para Rocha Loures.