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Preconceito e falta de diagnóstico dificultam prevenção do suicídio

  • Por Diogo Patroni/Jovem Pan
  • 11/09/2017 07h00
USP ImagensDepressão é a maior causa de suicídio no mundo, com 800 mil mortes/ano,

Mais de 12 mil pessoas tiram a própria vida por ano no Brasil, o que equivale a 32 mortes por suicídio/dia, conforme dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. O risco de suicídio está presente no cotidiano de qualquer um e afeta principalmente pessoas com transtornos psiquiátricos e as suas famílias, que, frequentemente, deixam de intervir por falta de assistência, informação ou preconceito. E os especialistas concordam: a prevenção é o melhor remédio.

Desenvolvida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em conjunto com o Centro de Valorização da Vida (CVV), a campanha Setembro Amarelo, criada em 2014, atingiu 50 milhões de pessoas em 2016 e busca alertar sobre esse mal que se manifesta de forma silenciosa.

De acordo com o Dr. Antônio Geraldo da Silva, Coordenador Nacional da Campanha Setembro Amarelo e Superintendente Técnico da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o mais importante é o trabalho anti-estigma, uma vez que é preciso acabar com o preconceito. “Quanto mais pudermos falar, alertar, tirar a mística negativa que existe sobre esse tema, melhores serão os resultados. Temos que lembrar todo dia, toda hora e sempre deixar claro que a doença mental pode acomete qualquer pessoa, mas é tratável”, explica o psiquiatra.

Entre os chamados grupos de risco estão mulheres de 15 a 19 anos de idade, que sofreram traumas por perdas familiares, perdas repentinas e rompimentos, acarretando assim nos chamados nos fatores psicossomáticos. O especialista salienta que 35,8% das pessoas que tiraram a própria vida apresentavam esse diagnóstico, seguido por dependência química.

Nós temos vários de riscos modificáveis. Os principais fatores são as doenças mentais. Não tem como falar de quadros de suicídio em que as pessoas não tinham a doença. Nós precisamos trabalhar a prevenção por meio da promoção da saúde. Quanto mais precocemente fizermos a intervenção, melhores resultados nós vamos ter. Não basta falar, é preciso tratar”, alerta o Dr. da Silva.

Ouça a entrevista com o Dr. Antonio

Como tratar?

A principal forma de reduzir os índices alarmantes de suicídio é atuar diretamente na prevenção. Conforme já mencionado pelo especialista da ABP, 100% dos casos estão ligados a doenças psiquiátricas. Entretanto, o tratamento varia de caso para caso.

“A doença mental você trata com medicamentos, terapia, mudanças de estilo de vida e várias alterações para que a pessoa desenvolva a qualidade de vida. É preciso que tenha tratamento para que haja melhora. Não tem como falar diferente”, reitera o médico.

A depressão, em específico, é a maior causa de suicídio no mundo, com 800 mil mortes/ano, segundo a OMS. A doença denominada de “mal do século” atinge todas as camadas da sociedade e não à toa já vitimou grandes personalidades como: Santos Dumont, Robin Williams, Marilyn Monroe, Chester Bennington, Amy Winehouse, Chorão, entre outros.

Apesar da gravidade, o Ministério da Saúde direciona somente R$ 1,3 bilhão para a área de saúde mental, quantia insuficiente, na opinião do Dr. da Silva. O especialista defende ainda que é preciso mudar a forma de acompanhamento das doenças mentais, com um sistema em rede para atendimentos ambulatoriais. 

Confira a opinião do especialista no áudio abaixo.

Busca por ajuda

O coordenador da campanha Setembro Amarelo ressalta que a busca voluntária por ajuda ainda é pequena, uma vez que o número de pessoas que chegam ao psiquiatra ainda é muito diferente daqueles que chegam clínico. “O que nós temos que ter em mente é que se ele chegou ao clínico ou psiquiatra, o que importa é que ele quer ajuda. Dentro desses pacientes que pensam em suicídio até chegar ao psiquiatra já caiu muito o padrão de aceitabilidade da ideia. Em média, de cada 100 habitantes, 17 tem pensamentos suicidas, 5 fazem planos, 3 já fizeram tentativas, 1 pessoa pelo menos já foi atendida em Pronto-Socorro com essa ideia”, esclarece o Dr. Antônio Geraldo da Silva. Confira a opinião do especialista no áudio abaixo.

Alguns fatores universais de proteção são: praticar atividade física diariamente e evitar o uso de substâncias como nicotina, cafeína, álcool e drogas.

Como identificar alterações?

O suicida não decide tomar uma atitude drástica da noite para o dia. Os principais indícios de que algo está fora do comum são: agressividade, ideia de morte, falta de alegria, desprazer, mudanças frequentas de comportamento e impulsividade. Tudo aliado à sensação de desamparo, desespero e histórico de transtorno mental. Assim como a depressão, já mencionada anteriormente. “O suicida é uma pessoa como outra qualquer. Ele só está acometido de uma doença”, salienta o psiquiatra.

Segundo o Dr. Antônio Geraldo da Silva, 80% das pessoas que se suicidaram já haviam procurado alguma ajuda, no mês anterior, com um profissional de saúde. Apesar de apresentar os sinais, o problema nem sempre foi detectado. “É importante ficar atento a todos os sinais e sintomas. O suicídio é uma emergência médica. Não se pode brincar ou demorar para correr atrás porque senão fica tarde demais”, alerta o médico da ABP.

Se você tiver pensamentos suicidas, ou tiver um amigo ou parente assim, busque ajuda. Não é vergonha nem demérito. Procure o CVV no endereço abaixo:

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