0:00
0:00

Programa de Doria doa alimento reprocessado a pessoas carentes

  • Por Estadão Conteúdo
  • 12/10/2017 20h02

Divulgação

Alimentos liofilizados serão produzidos com doações de mercados municipais e sacolões

A gestão João Doria lançou nesta semana o programa Alimento para Todos, que prevê a distribuição de um composto, feito com base em alimentos que não seriam comercializados, para a população carente da capital paulista. No vídeo em que apresenta o programa, Doria mostra um biscoito feito com o composto, o que gerou críticas nas redes sociais, onde o alimento foi chamado de “ração” e “granulado”.

“Aqui você tem alimentos que seriam jogados no lixo e que são reaproveitados, com toda a segurança alimentar. São liofilizados (desidratados a baixa temperatura para conservação) e transformados em um alimento completo: em proteínas, vitaminas e sais minerais. A partir do mês de outubro, começa a sua distribuição gradual, por várias entidades do terceiro setor. Igrejas, templos, a sociedade civil organizada, além da Prefeitura de São Paulo, para oferecer às pessoas que têm fome”, disse o prefeito, em um vídeo postado em suas redes sociais. “Em São Paulo inicialmente, e depois em todo o Brasil”, completou o prefeito.

Em Milão, o prefeito rebateu as críticas. Disse que elas eram fruto de “total falta de conhecimento”. “(As críticas) são essa coisa que o Brasil tem de colocar ideologia e partidarismo nas coisas. Aquilo foi desenvolvido por cientistas. É um trabalho de anos. Foi submetido à Prefeitura com todo o respaldo de cientistas. O alimento liofilizado dura anos. É o mesmo que os astronautas consomem em missões espaciais. É bom. Eu experimentei. Tem vários sabores”, afirmou.

O Alimento para Todos é resultado de um projeto de lei do vereador Gilberto Natalini (PV), que foi secretário do Verde de Doria mas saiu após desentendimentos com a gestão do tucano. O vereador defendeu o programa, mas não a apresentação do granulado. “O programa é sério, existe há anos, eu acompanho o desenvolvimento há dez anos. A ideia é reaproveitar alimentos para a produção de uma farinata. É essa farinata que, depois de embalada, dura até um ano. Da farinata se fazem bolos, massas para macarrão e biscoitos, com a adição de sabores”, disse. “O prefeito foi deselegante em lançar o programa, que nasceu de um projeto de lei, sem citar o autor do projeto”, disse.

A Secretaria Executiva de Comunicação da Prefeitura disse que os alimentos usados não estariam perto da data do vencimento. Afirmou se tratar de comida “de boa qualidade, mas que seria dispensada por mercados, sacolões e indústria”.

“Não é um alimento para ser consumido sozinho, mas um reforço nutricional. Não há definição de como será distribuído”, diz o texto. A Prefeitura disse que ainda não há definição sobre como será feita a distribuição do alimento. “Este programa está vinculado à Política Municipal de Erradicação da Fome e de Promoção da Função Social dos Alimentos que ainda está sendo elaborada”, completa a nota.

O endocrinologista e nutrólogo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) João Cesar Castro afirma que, em se tratando da população de rua de São Paulo, há outras questões a serem analisadas além da falta de acesso a alimentos. “Há pessoas que podem ser alcoólatras, terem problemas com drogas, e essas são coisas que tiram o apetite, fazem a pessoa não ter fome. É mais do que não ter acesso à comida. Há uma série de entidades, organizações que fazem distribuição de alimentos, com sopas nutritivas feitas com carne, além de programas como o Bom Prato, que oferece alimentos a preços acessíveis”, lembra.