O secretário Municipal de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, admite que a proposta de ampliação do rodízio, apresentada semana passada pela CET, pode ser repensada, se for rejeitada pelo Conselho Municipal de Trânsito e Transporte.


“Se o Conselho falar que é contra o rodízio, nós vamos pensar duas vezes em implantar o rodízio, porque alguma coisa está errada. Fica como está, porque o que nós não estamos precisando é de trabalho aqui, e isso aqui dá um trabalho danado para fazer”, disse Tatto.


“A impressão que eu tenho é: se for um negócio muito polêmico e estiver dividido o plenário do Conselho, nós vamos ter que eventualmente discutir melhor, pautar outras vezes”, completou o secretário.


Definições sobre o rodízio municipal de veículos na capital paulista e a circulação de táxis nos corredores de ônibus devem sair ainda nesta semana, durante a primeira reunião do Conselho Municipal de Transporte da Cidade de São Paulo em 2014, marcada para quarta-feira (15).


Pela nova regra proposta, quatrocentas rotas arteriais fora do centro expandido também teriam rodízio de placas para tentar reduzir os congestionamentos. Entre as vias onde a limitação será implantada estão as avenidas Cruzeiro do Sul, Lineu de Paula Machado, Aricanduva, Roberto Marinho, entre outras. (veja todas as principais avenidas)


O poder público municipal defende que a mudança poderá reduzir em até 13% a lentidão na cidade.


Por outro lado, o ex-ombudsman da CET Luiz Célio Bottura afirma que “é colocado um novo plano, que o próprio secretário reconhece ser precário, paliativo” e que “a prefeitura não evolui para apresentar as soluções”.


Horácio Figueira, consultor em Engenharia de Tráfego, também avalia que a ampliação do rodízio não é a medida mais recomendada para a melhora do trânsito.


“A gente vai estar enxugando gelo”, diz. “porque a gente vai tirar 20% da demanda que já está lá habitual dos períodos de pico, mannhã e tarde e vai atrair uma demanda, que eu não sei se vai ser um pouco menor, igual ou maior, isso só o tempo vai dizer”.


A sustentação do argumento de Figueira é de uma pesquisa que ele fez há quatro anos, em que 27,5% das pessoas diziam ter mais de um automóvel na residência por causa do rodízio.


Caso seja aprovada no Conselho Municipal de Transportes, a ampliação do rodízio passará a valer no mês de abril.


A CET decidiu manter suspensa a restrição nesta semana e o rodízio só voltará a valer na cidade no próximo dia 20 de janeiro.