Os vereadores de São Paulo voltaram atrás da decisão de não votar um reajuste ainda em 2016 e, em meio à crise enfrentada por todo o país, aprovaram o aumento dos seus próprios salários nesta terça-feira (20). A mudança é de 26,3% para o próximo ano e sobe a remuneração dos 55 vereadores de R$ 15.031,76 para R$ 18.991,68.

Um total de 30 vereadores votaram a favor do aumento, que segundo o repórter da Jovem Pan Daniel Lian, "nunca se viu uma votação tão rápida"; 11 foram contra. Os que foram na contramão do próprio aumento são Andrea Matarazzo (PSD), Aurélio Nomura (PSDB), Aurélio Miguel (PR), José Police Neto (PSD), Mário Covas Neto (PSDB), Gilberto Natalini (PV), Massataka Ota (PSB), Patrícia Bezerra (PSDB), Ricardo Nunes (PMDB), Salomão Pereira (PSDB) e Toninho Vespoli (PSOL). Ao final de votação, uma sonora vaia da população presente foi ouvida. Agora, os vereadores vão sair de férias.

O vereador Vespoli, o único a ir na tribuna se posicionar contra a elevação do salário, afirmou que a votação após as eleições foi "um absurdo" e revelou que a verba de setores importantes estão sendo cortadas.

"Um momento ímpar na nossa história e estão tirando um direito da população no geral. No município, o orçamento é quase igual ao montante. O orçamento é menor do que arrecadação do ano passado. Está se cortando dinheiro de áreas para pessoas com deficiencias, por exemplo, que tem um orçamento quase 10% menor do que ano passado", disse o vereador.

Chance perdida

Para o vereador do PSOL, era a possibilidade da Câmara Municipal de São Paulo mostrar que a classe política está disposta a contribuir com a situação que o país enfrenta, uma forma de sinal para a sociedade.

"A classe política está sendo vista como o que tem de pior. Isso mostraria um gesto da Câmara de que não é bem assim, que estamos sensíveis com o que está acontecendo com a política", desabafou.

Toninho Vespoli sugeriu ainda uma "arrumação" na Câmara para que o aumento fosse votado nesta terça-feira e afirmou não acreditar na possibilidade de se revogar a decisão.

"Não se volta atrás. Foi tirado da pauta e, pra entrar na pauta, tem que ter mais 19 assinaturas pra poder colocar o projeto. Não sei se isso é verdade, mas me parece que colocaram em torno de 30 assinaturas. Eu não vi. Foi feito um trabalho, uma amarração pra ser votado. (...) Tem que ver se tem algum elemento jurídico pra isso (para revogar a decisão)", disse.

A Constituição diz que o salário do prefeito não pode ser maior do que 90,2% dos vencimentos de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF); os vereadores devem receber o equivalente a 75% ao de um deputado estadual.

A presidência da Câmara rebate os protestos afirmando que o reajuste é abaixo da inflação, do último aumento para o atual, que foi de cerca de 32%.

A decisão dos vereadores vai de encontro com a opinião do novo prefeito, João Doria, que irá assumir o cargo no dia 1º de janeiro e se colocou contra o aumento.