No dia da posse do prefeito de São Paulo João Doria Jr. (PSDB), que prometeu ser um "gestor" à frente da maior cidade do País, priorizando os pobres, a Jovem Pan entrevistou os secretários de algumas das principais pastas da nova administração (Finanças, Saúde, Educação, Tecnologia & Inovação, Privatizações e Relações Internacionais).

Veja quem é quem no secretariado de João Doria

A maioria da nova equipe de Doria reconhece que terá de "fazer mais com menos" com as contas apertadas das pastas em 2017, a crise diminuindo as receitas e o orçamento exigindo recursos para cumprir as promessas do tucano.

Confira abaixo:

"Austero e conservador"

O secretário de finanças Caio Megale prevê um início de governo Doria “bastante austero, bastante conservador”.

Ele diz que é necessário primeiro "organizar a casa, colocar o trem nos trilhos e gradativamente ir gerindo prioridades". "Vamos ajustando todo o orçamento para que a gente chegue com gás no final do ano", afirmou.

O secretário é contra o aumento de impostos. "Aumentar receitas é barrigar o problema para o ano seguinte", diz. Em vez disso, ele que "rever a estrutura de gastos", fazer um "ajuste de custos" e "reequilibrar as relações". Megale também prevê uma revisão de contratos do município.

Promessa mantida na Saúde

Wilson Pollara, novo titular da Saúde, manteve a promessa do prefeito de zerar a fila de exames, que tem mais de 400 mil pessoas, em 90 dias, por meio do programa Corujão, que prevê agendamentos das 20h às 8h em hospitais da rede particular conveniados.

Pollara disse que há “grande colaboração” de muitas instituições da rede particular de Saúde e assumiu que “o desafio é grande”.

O secretário Pollara também disse que, para controlar os gastos na área, “vamos rever custos de tudo, custos de hospitais, custo de clínicas”. “Vamos ver o quanto está custando e o quanto eles estão entregando à população”

O secretário estadual de Saúde, David Uip, até pouco tempo atrás chefe de Pollara, também falou à Jovem Pan e disse que pretende efetivar uma “sinergia” entre município e Estado e vê uma “obrigação de dar certo”, até pelos governos serem do mesmo partido.

Objetivo é zerar crianças sem creche

O novo secretário da Educação escolhido por João Dória é uma cara conhecida da cidade. Alexandre Schneider já assumiu a pasta entre 2006 e 2012 durante a gestão de Gilberto Kassab. Para ele, os desafios em voltar para o posto “são grandes e novos, já que a cidade hoje tem outra configuração e a própria rede municipal cresceu bastante neste período. Se por um lado, o fato de eu conhecer os professores e a rede me ajuda, por outro eu tenho que atingir a expectativa do prefeito e de quem o elegeu”, conta ele. 

A questão das creches é um dos grandes desafios de Schneider a partir deste domingo (01). “Vamos esperar a publicação de demanda de creches que foi deixada por essa última gestão. O número de crianças que não puderam ser atendidas está em torno de 70 mil e nossa meta é zerar este número com parcerias com a sociedade civil, através de convênios”, promete.

Por fim, Schneider fala sobre o movimento que a atual crise econômica força aos pais fazerem, que é tirar os filhos da rede particular de ensino para coloca-lo em uma escola pública. “Vai ter que ser usada a criatividade. O prefeito não vai aumentar os impostos, então vamos fazer mais com menos”.

“Wi-Fi para todo mundo”

Secretaria de Tecnologia e Inovação, Daniel Annenberg quer “colocar tecnologia em todos os cantos da cidade” e fala em “Wi-fi para todo mundo” e “serviços padrão Poupatempo” em todos os serviços da Prefeitura.

O secretário também quer fazer um programa “transversal” em todas as secretarias e diz “o objetivo é que tudo seja eletrônico”. Ele cita serviços da Saúde, do licenciamento e alvarás de empresas. “Não pode demorar 150 dias para abrir uma empresa em São Paulo”, afirma.

Startups e desenvolvedores de games terão oportunidades também, segundo Annenberg.

Parques "dignos" e privatizados

Desde que começou sua campanha para a prefeitura da cidade de São Paulo, João Dória afirma em seu discurso a necessidade de privatizações na capital paulista, seja em serviços ou espaços públicos. Assim que eleito, ele criou uma secretaria especialmente feita para estas questões. Para a pasta de Privatizações o escolhido foi Wilson Poit, e ele terá como missão ajustar o plano de realizar parcerias privadas em locais como o Ibirapuera, o Autódromo de Interlagos e o Estádio do Pacaembu.

“Com relação aos parques, nunca será cobrado ingressos para os visitantes. O que nós queremos fazer é oferecer serviços dignos, como banheiros, parques muito mais limpos, sem custo nenhum para a população. Com um administrador privado que vai ter contrapartidas para isto, teremos, junto com as pessoas, condições de medir”, explica ele.

Copiar ideias de fora

Durante seu discurso de posse, o novo prefeito João Dória afirmou algumas vezes que São Paulo é uma locomotiva e um país. Por isso, as relações internacionais da cidade são muito importantes. Para a pasta de Relações Internacionais, o novo secretário Julio Serson, que tem bastante experiência na área de turismo, será responsável por deixar a capital paulista por dentro das novidades de gestão ao redor do mundo.

“Queremos gerar novos empregos e novos negócios na cidade. A relação da nossa secretaria com outros países e cidades é trazer empregos, investimentos e ideias boas para a cidade na área de mobilidade urbana e limpeza pública, por exemplo. Tudo que outros países servirem de exemplo, nós vamos copiar”, afirmou.