Trump quer repetir Brasil para proteger mercado automotivo dos Estados Unidos. O presidente norte-americano pretende impor uma tarifa de 35% para que veículos importados entrem no país. É exatamente o que o Brasil pratica, mas aqui ainda existe uma política de cotas, baixada pelo então ministro Guido Mantega, que praticamente impede o setor de crescer e vender porque impõe ainda mais tributação.

Antes da posse, Trump usou o Twitter para passar recados para as americanas Ford e GM e a japonesa Toyota. Num reflexo imediato, a Ford suspendeu uma unidade no México.

As montadoras alemãs também estão sob foco por suas bases no México.

O diretor da federação alemã VDA, Matthias Wissmann, defendeu que desde 2009, BMW, Volkswagen e Mercedes quadruplicaram sua produção nos Estados Unidos, com 850 mil veículos manufaturados em 2016, em um claro compromisso com o país.

O governo japonês saiu defesa da Toyota, que pretende expandir sua presença no México. O ministro do Comércio, Hiroshige Seko, afirma que a montadora tem 1,5 milhão trabalhadores nos Estados Unidos, numa contribuição importante para a economia americana.

O presidente da Renault Nissan Carlos Ghosn garante que irá adaptar às novas regras sem importar a situação, com a condição de que sejam as mesmas para todos, também se referindo a sua produção no México.

Mas podia ser ainda pior. No Brasil além dos 35% de importação, o ministro Mantega impôs mais impostos para quem vender além da cota estabelecida.

José Luiz Gandini, presidente da Abeifea, Associação das Importadoras, e da Kia do Brasil, chegou a vender 80 mil carros no Brasil e agora está limitado a oito mil carros.

Nos Estados Unidos até agora as regras foram estabelecidas no NAFTA, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte, assinado pelos Estados Unidos, México e Canadá e em vigor desde 1994, e que Donald Trump promete rever e já falou em cota de 35% para veículos importados.

*Informações do repórter Marcelo Mattos