Eles perderam o medo e agora usam e abusam das redes sociais. Será que os políticos estão fazendo isso certo?

56% dos brasileiros aptos a votar afirmam que as mídias sociais terão algum grau de influência na escolha do candidato na próxima eleição. A mesma pesquisa Ibope mostra ainda que as midias sociais têm muita influência sobre o eleitor, especialmente os mais jovens, com idade entre 16 e 24 anos.

Para atingir esse público e, claro, fincar bandeira no território virtual, os políticos perderam o medo e tem usado cada vez mais as redes.

Não há uma ciência exata, "o jeito certo de fazer", e a audiência costuma nortear as ações, muitas vezes controladas por uma equipe de comunicação.

E justamente por ser administrada por uma equipe não pelo próprio político é que há o risco de a página não conseguir representar a imagem da pessoa. O professor de Marketin Digital da ESPM do Rio de Janeiro, Eduardo Barbato, ressalta que é preciso ser fiel à personalidade. "É como se fosse a voz da pessoa. Empatia é muito importante", diz.

É importante, no entanto, não confundir espontaneidade com falta de senso de ridículo, como destaca o professor. É preciso lembrar que a comunicação por meio das mídias sociais é menos formal e mais próxima, mas há muitas vezes um cargo público por trás. O desafio é atingir a população sem cair no ridículo.

Nos últimos meses o prefeito de São Paulo, João Doria Jr. se tornou referência para muitos políticos pela atuação constante e eficiente nas redes. O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, é um dos influenciados, e não escondeu a inspiração em entrevista à repórter Carolina Ercolin.

"As ações acabam sendo similares porque temos os mesmos desejos e as mesmas práticas", diz. "Copiar o que dá certo é bom", assume.

Palanque?

Não faltam exemplos de políticos que usam - e muito bem - as redes sociais para apresentar ideias e manter contato com os eleitores. Mas será que as plataformas digitais são, de fato, utilizadas para estabelecer uma conversa com o eleitor? Ou será que é mais um palanque para os políticos?

O pesquisador do Instituto de Tecnologia e Sociedade, Fabro Steibel, faz o alerta: a comunicação tem que ser uma via de duas mãos. "Que a rede social não seja apenas um canal para informar o cidadão, mas também de troca de ideia", diz.

O resumo da ópera é bastante simples: estamos cada vez mais conectados, os políticos também, portanto, temos que explorar as possibilidade de interação e, sobretudo, fiscalização que a Internet nos dá.

Estar conectado ao seu candidato por meio de uma rede social significa um canal aberto para cobrar, para apontar os problemas e cobrar soluções.

Hoje, cada vez mais "curtir, compartilhar e comentar" são instrumentos fortíssimos do "fazer política" na Era Digital.

Reportagem de Carlos Aros