0:00
0:00

Culpa de tragédia é da Justiça, diz representante da Pastoral Carcerária/AM

  • Por Jovem Pan
  • 04/01/2017 12h53
EFE/Nathalie BrasilEFE/Nathalie BrasilFamiliares de detentos mortos em Manaus choram enquanto esperam identificação no IML da capital amazonense
BRA002. MANAOS (BRASIL), 03/01/17.- Familiares de los detenidos muertos durante el motín en una cárcel de Manaos lloran mientras esperan información hoy, martes 3 de enero de 2017, frente al Instituto Médico Legal, donde están los cuerpos de sus parientes, en Manaos (Brasil). Brasil reactivó hoy las alarmas sobre su sistema penitenciario después de que 56 presos murieran en una cárcel de la Amazonía durante un enfrentamiento entre bandas, una guerra interna del crimen organizado a la que se suma las condiciones precarias de los presidios y el hacinamiento. EFE/Nathalie Brasil.

A Pastoral Carcerária denuncia um quadro de abandono e descaso do estado, do Judiciário e dos gestores no presídio onde ocorreu o massacre no Amazonas. A rebelião do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, o Compaj, deixou 56 mortos entre domingo e segunda-feira.

O presídio abrigava mais de 1200 presos, quando tinha capacidade para pouco mais de 450. A representante da Pastoral Carcerária no Amazonas, Maria Marques, conta que a entidade católica testemunhou até situações de falta de água para os detentos.

“Antes dessa tragédia o sistema era um caos e é ainda, continua”, afirmou em entrevista exclusiva à Jovem Pan. Marques “discorda completamente” que o principal motivador da tragédia tenha sido briga entre facções. “Os culpados são os próprios gestores, a Justiça”, disse.

Ouça a entrevista completa AQUI.

A representante, no entanto, reconhece que “existem as facções” dentro Compaj, palco da matança. “Existia divisões, cada um com a sua parte”, lembrou. “Sabíamos que eram perseguidas e abandonadas por todos as pessoas que estavam no pavilhão de isolamento”, relata Marques. Ela acrescenta, porém, que nesta ala, onde ocorreu a carnificina e que foi invadida durante o motim, ficavam os presos cujas acusações eram de crimes intolerados pelos outros detentos, como estupro.

A membro da pastoral nunca testemunhou a divisão entre facções causar problemas ao trabalho religioso. Eles celebraram o Natal no presídio. “Nunca nós constatamos nenhuma desavença entre eles”, afirmou.

As reclamações, segundo Maria Marques, eram outras: torturas, superlotação, discriminação de tratamento com internos ameaçados de morte, falta de celeridade do Judiciário no julgamento dos processos, falta de água, descaso da adminstração, entre outros.

Maria diz que a pastoral tentou marcar uma reunião com o secretário responsável pela administração prisional no Amazonas, mas não foram recebidos. Ela acusa o governo de saber dos problemas que ocorriam na unidade e se omitir. “O Estado negociava não sei com quem e ia levando em banho-maria”, declarou. Até água faltava. É um descaso com a administração, o Judiciário que não fazia seu papel. Vem juntando, de anos, chegou um tempo que explodiu”, disse, sobre as eventuais causas da rebelião.

A Pastoral Carcerária diz que no momento apoia as famílias dos executados no massacre. “A pastoral está se dividindo em equipe, está no IML ao lado das famílias. Escutando e sofrendo com elas”. Maria diz que há funcionários da empresa terceirizada fazendo um papel semelhante. Ela reclama, porém, que “ainda não foram liberados todos os corpos” (até 12h desta quarta), o que aumenta a angustia dos parentes.

Será realizada uma missa de sétimo dia em homenagem aos mortos no próximo sábado (7). A Pastoral trabalha também em cojunto com a defensoria do Estado para levar à Justiça os responsáveis pela tragédia.

Entrevista pelo repórter Jovem Pan Tiago Muniz