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Delação da Odebrecht Ambiental aponta nomes do ABC

  • Por Estadão Conteúdo
  • 19/06/2017 10h05
EFE / SEBASTIÃO MOREIRAEFE / SEBASTIÃO MOREIRAFachada da sede da Odebrecht em São Paulo - EFE
BRA51. SAO PAULO (BRASIL), 10/04/2017.- Fotografía de archivo del 22 de diciembre de 2016, de la sede de constructora Odebrecht en la ciudad de Sao Paulo (Brasil). El grupo Odebrecht, implicado en el escándalo de corrupción en Petrobras, causó daños por valor de 5.684 millones de reales (unos 1.810 millones de dólares) en 11 contratos inflados firmados con la estatal entre 2003 y 2014, según un informe de la Policía Federal obtenido hoy, lunes 10 de abril de 2017, por varios medios locales. EFE / SEBASTIÃO MOREIRA / ARCHIVO

Ex-executivos da Odebrecht Ambiental afirmaram à força-tarefa da Operação Lava Jato ter financiado os candidatos Carlos Grana (PT) e Nilson Bonome (PMDB), nas eleições de 2012, com o propósito de vencer o processo de privatização do sistema de abastecimento de água em Santo André, no ABC paulista.

Grana, que saiu vitorioso na disputa municipal, recebeu doação legal de R$ 500 mil, enquanto Bonome, nome derrotado na eleição de 2012, recebeu R$ 400 mil via caixa 2, segundo Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental. O depoimento foi prestado em abril.

A Odebrecht venceu o edital de licitação para gerenciar o sistema de água e esgoto da cidade em março de 2016. “Foi feito estudo, audiência pública, foi realizada a licitação em 2015. O TCE (Tribunal de Contas do Estado) suspendeu o edital como é de costume em São Paulo. O município acatou as recomendações e republicou o edital em 13 de janeiro de 2016. A companhia entregou a proposta em 1.º de março de 2016. Saímos vencedores”, disse Reis.

O ex-diretor regional da empresa em São Paulo Guilherme Paschoal reiterou a versão de Reis em seu depoimento. “A intenção era fomentar e estimular a privatização e queríamos fazer o projeto em Santo André. Ele (Grana) achava interessante porque sabia quanto nos poderíamos levar de investimento ao município”, afirmou.

Os valores de Bonome teriam sido acertados diretamente com o candidato. Os encontros eram realizados em uma cafeteria perto da sede da Odebrecht na capital paulista. “Marcava a hora, e entregava pessoalmente a ele as informações. Eu sabia que ele não seria eleito, mas tinha uma influência no ABC que poderia fomentar o projeto”, disse Paschoal.

Mesmo perdedor na eleição, Bonome procurou o delator para pedir R$ 150 mil, em 2014, segundo Paschoal. “Por ser uma personalidade do PMDB, talvez, pudesse ajudar na base dele a não criar nenhum óbice (à empreiteira em Santo André).”

Caixa 2

Somente no Estado de São Paulo, executivos da companhia de saneamento e tratamento de água do grupo dizem ter pago R$ 9,1 milhões em caixa 2, para financiar eleições municipais. Eles identificaram 23 candidatos cujas campanhas foram contaminadas. Reis chamou a prática de vacina “antiachaque”. Atualmente, há 13 petições da Procuradoria-Geral da República para investigar a empresa nos municípios paulistas no Tribunal Regional Federal da 3.ª Região.

Procurado, Grana não atendeu à reportagem. A defesa de Bonome não foi localizada.