“Aumentar impostos significa frear a economia”, diz Skaf

  • Por Jovem Pan
  • 12/10/2017 18h04

Thiago Navarro/ Jovem Pan

Presidente da Fiesp, Paulo Skaf, espera que a retomada do crescimento não seja como um "voo de galinha"

O governo federal analisa a possibilidade de mais uma vez aumentar as alíquotas do PIS/Cofins de 9,25% para 10%. A “manobra” seria para justificar a perda na arrecadação que excluiu o ICMS da base de cálculo. Nesta quinta-feira (12), a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) se posicionou oficialmente contra e confirmou a volta do Pato Amarelo, pois acredita que novos tributos vão frear o desenvolvimento da economia e a retomada do crescimento.

Em entrevista à Jovem Pan, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirma que o aumento de impostos não pode ser repassado à sociedade. “O grande problema do Brasil é o excesso de impostos, a grande carga tributária e a péssima qualidade dos serviços públicos. A economia começa a se recuperar e aumentar impostos ,neste momento, significa frear a economia e colocar pedras no caminho da retomada de crescimento do País”, explicou.

Segundo o presidente da Fiesp, os governos estavam cobrando PIS/Cofins sobre uma base de cálculo com o ICMS embutido, o que foi considerado ilegal pelo STF. “Estavam cobrando imposto sobre imposto e isso foi julgado como inconstitucional. O governo deveria se desculpar com a sociedade porque estava cobrando de forma errada”, criticou

Skaf acrescenta que por conta dessa cobrança inconstitucional, o contribuinte foi lesado por anos. Por isso, o mínimo que o governo federal deveria fazer era reconhecer o erro e ressarcir a sociedade. “Quando uma empresa ou a pessoa física erra a Receita Federal não perdoa. Cobra com juros, multa, correção, bloqueia a conta… Ou seja não tem perdão. Mas quando o governo erra, além de não falar em devolver o que cobrou a mais, ainda quer transformar aquele erro por meio do aumento de alíquota”, completou.

Questionado sobre o momento econômico do País, o presidente da Fiesp salientou que a situação econômica é bem melhor do que já esteve há seis meses e a tendência é melhorar ainda mais em 2018, apesar do alto nível de desemprego. “A economia bateu no fundo do poço e está recuperando. Sentimos isso em todos os indicadores da indústria, do comércio e de serviços. Esperamos que essa retomada de crescimento não seja aquilo que chamamos de ‘voo de galinha’, com crescimento por um ou dois anos e depois volta para trás”, projetou.

Defensor das reformas propostas pelo governo Temer, Skaf afirmou que o alicerce estava fraco e falta a estrutura que, segundo ele, seria as reformas como a trabalhista, tributária, da previdência e política.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos