Presidente do BC diz que volta da inflação à meta não vai atrapalhar o crescimento

  • Por Estadão Conteúdo
  • 10/01/2018 19h13

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que os preços de alimentos e gasolina serão mais voláteis mês a mês

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta quarta-feira, 10, que a volta da inflação para a meta de 4,5% em 2018 está relacionado com a retomada da economia e o crescimento do emprego. “Para nós é normal haver essa volta porque ela está associada ao crescimento. Ela não atrapalha o crescimento da economia, mas está associada a ele”, respondeu.

O presidente do BC citou que houve reação dos preços dos alimentos em dezembro e avaliou que isso mostra por que a autoridade monetária precisa ter cuidado ao reagir a choques de alimentos. “Por isso o BC deve deixar os preços de alimentos caírem ou subirem, e controlar o resto dos preços”, explicou.

O BC enviou nesta quarta uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para explicar por que a inflação de 2017 ficou em 2,95%, abaixo do piso da meta, de 3,0%. “Vamos prestar contas continuamente, independentemente de o IPCA ficar dentro ou não dos limites da meta”, acrescentou.

Questionado se o BC não demorou a cortar os juros, já que a inflação se mostrou mais baixa que o piso da meta, Goldfajn argumentou que a atuação mais conservadora da autoridade monetária no início do ciclo de queda da Selic permitiu a queda no IPCA. “Devido à firmeza da política monetária é que a inflação caiu. Não houve atraso na redução de juros”, rebateu.

“Inflação baixa é algo bom”

Goldfajn reforçou que inflação baixa é algo bom e que o objetivo é manter a inflação baixa neste e nos próximos anos. “Inflação baixa é bom, e não tem nada de errado nisso. Vamos comemorar a queda da inflação e trabalhar para mantê-la baixa”, afirmou.

Questionado sobre o fato de a inflação de dezembro ter sido maior que a esperada pelo BC, Goldfajn afirmou que os preços de alimentos e gasolina serão mais voláteis mês a mês. “Vamos olhar qual será a tendência da inflação daqui para frente”, respondeu

Ele ainda explicou que, pela metodologia científica, poderia haver o arredondamento da inflação de 2017 de 2,95% para 3,0%, cumprindo assim o piso da meta do ano passado.

“Poderíamos usar esse arredondamento, talvez outros usariam, mas isso não seria um benefício para nós”, afirmou.

Recessão

Goldfajn disse que a economia brasileira começou a sair da recessão após a mudança das expectativas. “A mudança na inflação é que nos ajudou a sair da crise”, afirmou. “E as expectativas foram muito relevantes para controle da inflação”, completou.

Ele comentou ainda que o câmbio é uma variável relevante para a inflação, mas avaliou que não teve peso importante na inflação de 2017. Segundo o presidente do BC, o câmbio não é um instrumento de controle da inflação. “A inflação foi mais baixa no ano passado por conta de expectativas e dos preços de alimentos, não tanto por causa do câmbio. O balanço de pagamentos é hoje muito confortável e temos estoque de swaps menor. Para frente, vamos continuar monitorando o câmbio”, afirmou.

Questionado sobre se a meta de IPCA não deveria desconsiderar os preços dos alimentos, focando apenas os núcleos de inflação, ele respondeu que o BC, de certa forma, já olha a tendência da inflação.

Segundo ele, a reunião nesta quarta-feira com o presidente Michel Temer foi para falar da inflação baixa de 2017.

Reavaliação

Ainda segundo Goldfajn, não é o momento de reavaliar a mensagem para as próximas decisões de política monetária. “A reavaliação da mensagem de política monetária será feita em momento adequado”, limitou-se a responder.

No último Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no 21 de dezembro, o BC manteve a indicação de que poderá promover um novo corte na Selic na próxima reunião, em fevereiro. Ao mesmo tempo, a instituição afirmou que essa posição é mais suscetível a mudanças na evolução do cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores.