A desistência de quatro gigantes do setor petroleiro do leilão do pré-sal surpreendeu o Governo e a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que previam uma disputa mais acirrada com cerca de 40 empresas e não apenas as 11 que acabaram se inscrevendo. Nesta quinta-feira, as americanas ExxonMobil e Chevron; e as britânicas BP e BG decidiram não participar do leilão do Campo de Libra, marcado para 21 de outubro. Em entrevista à JOVEM PAN o ex-diretor da ANP David Zilberstein afirmou que o leilão do pré-sal perdeu a atratividade porque não garantiu segurança aos investidores.


“É um investimento de grande porte (...) Exatamente por isso você tem a necessidade de investimentos grande e precisa ter segurança e garantia de que as coisas vão funcionar de maneira adequada. Acontece o seguinte, o modelo que foi proposto pelo governo é um modelo onde a Petrobras é a operadora. O mais complicado nesta história é que criou-se uma estatal chamada PPSA, que vai fazer a gestão. Ou seja, quem vai prevalecer é um conjunto Petrobras e uma estatal que vão ter direito a voto, veto e total domínio sobre a exploração do campo. Isso traz uma insegurança regulatória”, disse Zilberstein.



Na lista final das interessadas no leilão estão duas gigantes Chinesas – a International Limited e a China National Petroleum Corporation. Para o ex-diretor da ANP a “China não busca o petróleo como produto final. Eles querem a exploração como um produto intermediário”.


“As estatais chinesas precisam na realidade do petróleo em si não como um produto final, mas como um produto intermediário. Então a receita pode ser menor do que uma empresa convencional. Por exemplo, tem gente que faz aço e tem gente que compra aço para fazer um novo produto. No caso das empresas chinesas elas estão querendo comprar o aço (no caso o petróleo) para poder fazer outros produtos. Então ela se dispõe a ter um papel, eu diria quase passivo nesta historia, e receber em petróleo que for resultado da exploração desse campo”, explicou.


Segundo a ANP, estão na disputa pelo o leilão as empresas CNOOC International Limited (China); China National Petroleum Corporation (CNPC), Ecopetrol (Colômbia), Mitsui & CO (Japão), ONGC Videsh (Índia), Petrogal (Portugal), Petrobras (Brasil), Petronas (Malásia), Repsol/Sinopec (Hispano-Chinesa) e Shell (Anglo-Holandesa). As empresas interessadas ainda terão que passar por um processo de habilitação para participar da licitação. Esse é o principal leilão que vai conceder áreas para exploração de petróleo e gás natural na região do pré-sal sob o regime de partilha de produção. A expectativa é que a produção seja de 1 milhão de barris por dia da área de Libra.