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Petrobras contrata empresa americana para auditar exercícios de 2015 e 2016

  • Por Agencia Brasil
  • 02/03/2015 23h39
RIO DE JANEIRO,RJ,28.01.2015:PETROBRAS-RJ - Fachada da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (RJ), nesta quarta-feira (28). A Petrobras divulgou durante a madrugada o resultado da empresa no terceiro trimestre do ano passado. Sem considerar os prejuízos com a corrupção, a Petrobras teve um lucro de R$ 3,1 bilhões no período de julho a setembro do ano passado. Uma queda de 28% em relação ao mesmo período de 2013. . (Foto: Ale Silva/Futura Press/Folhapress)Ale Silva/Futura Press/FolhapressFachada da sede da Petrobras

A empresa PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes foi contratada pela Petrobras para prestar serviços de auditoria contábil nos exercícios sociais da estatal de 2015 e 2016. A decisão, tomada pelo Conselho de Administração da empresa na sexta-feira (27), foi divulgada na noite desta segunda (2) em nota da empresa. A Petrobras não informou o valor do contrato.

A Price, que já faz auditoria externa para a Petrobras, não assinou o balanço do terceiro trimestre de 2014, divulgado pela empresa na madrugada do dia 28 de janeiro. Na divulgação das demonstrações contábeis do período, a estatal explicou que os resultados não foram revisados pelos auditores independentes, mas que os dados estavam sendo apresentados com “o objetivo de atender a obrigações da companhia (covenants) em contratos de dívida e facultar o acesso às informações aos seus públicos de interesse, cumprindo com o dever de informar ao mercado e agindo com transparência com relação aos eventos recentes que vieram a público no âmbito da Operação Lava Jato”, informou o comunicado.

A Price questionou auditar o balanço sem que os prejuízos da Petrobras com os desvios de recursos fossem avaliados na totalidade. Nos comentários aos acionistas e investidores para a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2014, a então presidenta da Petrobras, Graça Foster, informou que, por causa dos fatos e provas produzidos no âmbito da Operação Lava Jato, a empresa tinha adiado a divulgação do dia 13 de novembro de 2014.

Foster acrescentou que os depoimentos aos quais a Petrobras teve acesso revelaram a existência de atos ilícitos, como cartelização de fornecedores e recebimento de propinas por ex-empregados, indicando que pagamentos a tais fornecedores foram indevidamente reconhecidos como parte do custo de ativos imobilizados, demandando, portanto, ajustes. “Entretanto, concluímos ser impraticável a exata quantificação desSes valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da Companhia”, esclareceu.

Por isso, no balanço do terceiro trimestre de 2014, a empresa reconheceu que “em face da impraticabilidade de identificar os pagamentos indevidos de forma correta, completa e definitiva, e da necessidade de corrigir esse erro, a companhia decidiu utilizar duas modalidades”, relatou Graça Foster.

A Petrobras usou o conceito de diferença entre o valor justo (fair value) de cada ativo e seu valor contábil; e a quantificação do sobrepreço decorrente de atos ilícitos usando informações, números e datas revelados nos depoimentos e termos de colaboração premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil // Edição: Aécio Amado