"É uma bomba atômica esse assunto. Não demos 10 passos atrás. Demos 100 passos atrás. É um fiasco". É assim que define José Luiz Tejon, consultor e apresentador do A Hora do Agronegócio, da Jovem Pan, define as denúncias de fraudes no processo produtivo de carnes brasileiras. A referência é à fala do ministro da Agricultura e Pecuária, Blairo Maggi, ao Jornal da Manhã de sábado (18), que disse que "demos 10 passos atrás" nos negócios do setor.

"Falamos sobre agronegócio, mas não atendemos até agora no Brasil que agronegócio não é só negócio agrícola, é gestão, é liderança, é tomar conta de cada elo da cadeia produtiva", critica e sugere Tejon. "Fico admirado que como segmentos corretos e éticos brasileiros conseguem conviver com canalhas instalados e se escondendo dentro da lei. Tem muita gente boa que assistia a aquele superintendente do Paraná fazendo besteira e ia deixando", descreve.

Ele lembra ainda que estamos em um momento de supersafra e "a carne brasileira, a proteína animal, é consumidora de soja e de milho", sendo essas culturas também afetadas pelo retrocesso no setor com as irregularidades apontadas pela Operação Carne Fraca da Polícia Federal.

"Nossos concorrentes internacionais e os negociadores internacionais vão tirar um enorme proveito disso. Significa um baque no agronegócio", constata. "É tudo, tudo que o Brasil não precisava nesse momento. A única coisa que estava crescendo no País era o agronegócio", lamenta.

"Não pode ter uma cadeia produtiva sem um comando e nós somos desconectados nesse comando. Somos desconectados nesse comando", diz também Tejon. Ele elogia, no entanto, o presidente da República. "Ainda bem que o presidente Temer está chamando para si essa coordenação", diz. Tejon sugere também a nomeação de um porta-voz especial para centralizar as falas e informações sobre a crise.

Para o consumidor, Tejon recomenda que siga comprando das grandes marcas envolvidas no escândalo sem medo, uma vez que apenas uma parte da linha produtiva teria sido afetada. Ele pede desconfiança de churrascarias que oferecem rodízios a preços muito módicos. "Não existe milagre", diz.

"Esse tipo de produto (estragado), duvido que venha para mercados mais exigentes, redes de supermercados", avalia Tejon, lembrando que as grandes redes possuem um sistema de rastreabilidade da origem dos produtos.

"Que o Brasil se articule melhor na fiscalização da sua rede produtiva", pede, por fim, José Luiz Tejon.

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