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Léo Pinheiro revela pedido de Lula para destruir provas de propinas

  • Por Jovem Pan
  • 20/04/2017 19h21

"A OAS pagou R$ 350 mil de doação à paróquia de Brasília e pagou R$ 2ReproduçãoLéo Pinheiro - Reprodução

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, nesta quinta-feira (20), em Curitiba, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, revelou que o ex-presidente Lula pediu para que ele destruísse provas referentes às propinas pagas pela empresa ao PT. O empresário confirmou que houve uma conversa em 2014, e Lula teria questionado Pinheiro se ele teria a relação dos pagamentos feitos à João Vaccari, na época tesoureiro do partido.

“Eu estive com o Lula em junho, e tenho anotado na minha agenda, são vários encontros. Ele me fez a pergunta se eu teria feito um pagamento ao Vaccari no exterior. Eu disse, não presidente, não fiz nenhum pagamento ao Vaccari no exterior. Ele questionou: ‘como você está procedendo com os pagamentos ao PT?’ Respondi que era através do Vaccari e das orientações dele. Ele novamente questionou e ordenou: ‘você tem algum registro dessas contas? Se tiver, destrua’”, descreveu Pinheiro.

O questionamento, aliás, foi feito pelo próprio advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, que estava presente na audiência. No entanto, Leo Pinheiro, condenado a 39 anos de prisão, não confirmou se a ordem foi executada.

Já no caso do Triplex do Guarujá, o ex-presidente da OAS disse que foi orientado por Vaccari e Paulo Okamoto a deixar a situação como estava e não vender o imóvel. 

O empresário ainda negocia uma delação premiada e deve revelar informações sigilosas sobre Lula e o PT.

Defesa

Em nota, Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Lula, afirmou:

“Léo Pinheiro no lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel.

A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo – não presenciado por ninguém – no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-Presidente. É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula que, a despeito de ter sido apresentada ao Juízo, não mereceu nenhuma providência.

A afirmação de que o triplex do Guarujá pertenceria a Lula é também incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro. Em 3/11/2009, houve emissão de debêntures pela OAS, dando em garantia o empreendimento Solaris, incluindo a fração ideal da unidade 164A. Outras operações financeiras foram realizadas dando em garantia essa mesma unidade. Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o apartamento como ativo da empresa.

Léo Pinheiro negou ter entregue as chaves do apartamento a Lula ou aos seus familiares. Também reconheceu que o imóvel jamais foi usado pelo ex-Presidente.

Perguntado sobre diversos aspectos dos 3 contratos que foram firmados entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a verdade dos fatos.”

*Com informações do Estadão Conteúdo