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Morte de negro durante abordagem policial registrada ao vivo gera protestos nos EUA

  • Por Jovem Pan
  • 07/07/2016 10h15
ReproduçãoReproduçãoHomem morto durante abordagem policial em Falcon Heights

A morte registrada em vídeo de outro negro por policiais dos Estados Unidos geram protestos no estado de Minessota. Philando Castile, 32 anos, morreuna pequena cidade de Falcon Heights nesta quarta (6) após ser atingido por tiros dentro de seu carro, durante abordagem policial.

Um vídeo de instantes após os disparos foi transmitido ao vivo por sua namorada, Lavish Reynolds, nas redes sociais (veja mais abaixo; contém imagens fortes). Enquanto conversa com o policial, que ainda aponta a arma, a namorada mostra Castile agonizando, ainda vivo, com a camisa branca coberta de sangue. Os dois estavam acompanhados pela filha pequena de Reynalds, que testemunhou a ação do banco de trás.

“Oh, meu Deus, por favor não diga que ele está morto. Por favor não diga que meu namorado se foi desse jeito”, pede a mulher.

O policial, com a voz nervosa, diz: “eu disse para ele colocar as mãos para cima”, ao que a mulher responde: “o senhor disse para ele pegar os documentos”. “Ele só estava pegando a licença de motorista, senhor”.

As imagens mostram as mãos de um agente, visivelmente nervoso, apontando uma arma para Castile, que permanece no interior do veículo em silêncio, com o cinto de segurança e com o tronco do corpo ensanguentado para trás.

Ele teria informado ao policial que o documento estava na carteira do bolso de trás. Segundo a namorada, o rapaz baleado também notificou o agente que portava uma pistola. Castile teria licença para portar a arma, legalizada.

O oficial teria dito, então, para Castile não se mexer. Quando ele teria colocado as mãos para trás, o policial atirou mais de uma vez no braço do homem, ainda de acordo com a namorada. Lavish dá relatos diferentes sobre o número de disparos efetuados pelo policial, “de quatro a cinco”. Essas cenas são narradas por Reynolds, e não aparecem no vídeo, que começa já com Castile baleado.

Ela confirma que havia maconha no carro, que estaria com um farol traseiro com a luz queimada, suposto motivo da abordagem policial.

O vídeo foi divulgado na página de Lavish no Facebook. Ele contém imagens fortes.

O autor dos tiros seria um “policial chinês” de cerca de 55 anos, conta Lavish no vídeo. No registro de 10 minutos, é possível ver a namorada da vítima sendo abordada, detida pela polícia e levada em uma viatura.

Ela chora e sua filha pequena a consola: “está tudo bem, mamãe, estou aqui com você”.

Protestos e outro caso recente

Dezenas de pessoas se concentraram nesta quinta-feira nas ruas de Falcon Heights para protestar pela morte do jovem negro Philando Castile nas mãos da polícia, em um novo episódio da tensa relação existente entre as forças de segurança e as minorias no país.

A própria polícia confirmou que dois agentes estiveram envolvidos no tiroteio, enquanto a mãe da vítima, Valerie Castile, informou sua morte para a imprensa local.

Este fato aconteceu o mesmo dia em que o governo dos EUA anunciou que vai investigar a morte de Alton Sterling, um homem negro de 37 anos, que faleceu na última terça-feira em Baton Rouge (Louisiana) após uma briga com dois policiais brancos, incidente que foi gravado e que provocou vários protestos.

A divisão de direitos civis do Departamento de Justiça, encarregada de investigar crimes raciais, e o FBI vão conduzir o inquérito, anunciou em entrevista coletiva o governador da Louisiana, o democrata John Bel Edwards.

“Eu tenho preocupações muito sérias, o vídeo é preocupante para dizer o mínimo”, ressaltou o governador, falando sobre as imagens gravadas com um telefone celular, onde um dos agentes aparece tirar algo que parece ser uma pistola e coloca no pescoço de Sterling, que permanece imobilizado no solo.

Nesse momento do vídeo, a câmera se afasta da cena, são ouvidos alguns tiros e uma voz que grita: “Tem uma arma, uma arma!”.

O vídeo, também divulgado nas redes sociais, provocou ontem à noite vários protestos na capital da Louisiana, onde algumas pessoas bloquearam o trânsito e outras carregavam cartazes e cantaram palavras de ordem como “Sem justiça, não há paz” ou “As vidas dos negros importam”.

Com informações complementares da agência EFE