Juiz que acompanha processo contra Trump nos EUA é “cidadão paulistano”

  • Por Tiago Muniz/Jovem Pan
  • 05/12/2017 06h03

Marcos Corrêa/PR

Peter Messitte, de 76 anos, veio ao Brasil na década de 1960, quando ainda advogava, e ficou por aqui durante dois anos junto com a esposa

O juiz que acompanha um dos processos na justiça americana contra Donald Trump tem uma história de relação com o nosso país e fala o português muito bem.

Peter Messitte, de 76 anos, veio ao Brasil na década de 1960, quando ainda advogava, e ficou por aqui durante dois anos junto com a esposa. Nesse período, os dois desempenharam trabalho voluntário e ele chegou a lecionar na Faculdade de Direito da USP, no largo de São Francisco.

Naquela época, ele teve um filho, que foi batizado em homenagem à capital paulista. “Até hoje eu estou totalmente ligado com o Brasil. O meu filho Zach, que hoje dirige uma pequena universidade, nasceu em São Paulo. E o segundo nome dele é Paulo. Paulo mesmo, honrando a cidade onde ele nasceu”, conta.

De volta aos Estados Unidos, Messitte prestou serviços jurídicos à embaixada brasileira e continuou promovendo intercâmbios entre os dois países a tal ponto que recebeu o título de cidadão paulistano da Câmara dos Vereadores em 2009.

Hoje, ele é juiz federal e acompanha um processo contra o presidente americano, Donald Trump. Os procuradores-gerais do estado de Maryland e do Distrito de Colúmbia acusam o republicano de ter violado uma cláusula da constituição do país.

O presidente dos Estados Unidos é proibido de receber presentes ou pagamentos de governos estrangeiros. Só que alguns dos hotéis de Trump receberam clientes envolvidos com os governos de outros países e os procuradores entendem que há um conflito de interesses.

O juiz Peter Messitte acompanha o caso e diz que, em tese, o caso pode levar à deposição do presidente. “O Congresso poderia decidir que o que aconteceu não foi aceitável e seguir até o impeachment, mas é pouco provável”, afirma.

O magistrado esteve em São Paulo nesta segunda-feira participando de um seminário na Fundação Fernando Henrique Cardoso. Ele debateu com outros juristas as diferenças entre o instituto brasileiro da colaboração premiada e o plea bargain americano.