O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira que a Rússia esteve por trás dos ciberataques realizados ao longo da disputa eleitoral que terminou com a vitória do magnata no pleito do dia 8 de novembro do ano passado.

"Hackear é ruim e não deveria ter ocorrido", afirmou Trump em entrevista coletiva em Nova York, ao se referir aos relatórios de inteligência que indicam que os ataques cibernéticos russos puderam beneficiar o candidato presidencial republicano.

"Sobre o ataque virtual, acredito que foi a Rússia", acrescentou Trump, em posição que destoa de opiniões anteriores nas quais se mostrava resistente a aceitar que a Rússia estivesse por trás de ataques cibernéticos, que afetaram principalmente o Partido Democrata.

O presidente eleito afirmou que os Estados Unidos estão sofrendo ciberataques de "todo o mundo, seja da Rússia, da China, qualquer" lugar. Mesmo assim, Trump disse que essas invasões "nunca voltarão" a ocorrer a partir do momento em que ele chegar à Casa Branca, no dia 20 de janeiro.

Trump disse ser necessário reconstruir os laços com a Rússia devido à "horrível" relação que existe entre ambos os países atualmente.

"A Rússia pode nos ajudar a lutar contra o Estado Islâmico", comentou Trump na entrevista coletiva. 

Construção do muro

Trump reiterou sua promessa de campanha de que construirá um muro na fronteira com o México e que o país vizinho o pagará "com impostos ou pagamentos" diretos.

"Não quero esperar um ano e meio para fazer um acordo com o México", afirmou Trump sobre sua intenção de urgência na construção de um muro entre os dois países. "O México pagará pelo muro", frisou.

Mesmo assim, Trump disse ter "respeito" pelo povo mexicano e seu governo, e alegou que as autoridades locais "não têm culpa do que está acontecendo" com a imigração ilegal.

Na entrevista, realizada em Nova York, Trump não detalhou de que forma o México vai "reembolsar" os Estados Unidos pelas despesas com a construção desse muro. "Vai acontecer, seja por impostos ou com pagamentos", declarou.

O presidente eleito afirmou ainda que o México "tirou vantagem" dos Estados Unidos nos últimos anos, em alusão a acordos comerciais que, segundo ele, terminaram prejudicando seu país. "Não deveríamos ter permitido que isso acontecesse", disse.