A poucos dias da nova reunião bilateral com dirigentes argentinos, Brasil endurece negociações e trava importações de alguns produtos do país vizinho.
Desde a semana passada, deixaram de ser automáticas as licenças de importação para farinha de trigo, azeite, vinho e uma série de itens alimentares. Os setores de autopeças e de brinquedos também enfrentaram dificuldades nos últimos meses nas relações comerciais.
Há quase um ano, a Argentina tornou não automáticas
licenças de importação de produtos brasileiros sob a alegação de proteção à industria local. Depois de alguns meses, a produção de bens da Argentina ficou estagnada e elevou-se a presença de itens exportados por países, como China e México. O diretor do Center Group e especialista no mercado argentino, Gustavo Segre, afirmou que o entrave comercial pode afetar o Mercosul e fala em retaliação.
Em entrevista ao repórter Patrick Santos, o vice-presidente da Associação Brasileira de Bebidas, Ciro Lilla destacou que muitas empresas já estão tendo dificuldade para liberar produtos no Porto de Santos e ainda, lamentou o fato da medida ser adotada agora no final do ano, quando cresce o volume de importação.
O presidente da Abrinq, Sinésio Batista, comentou que o Brasil está perdendo cada vez mais mercado na Argentina. Batista observou que a China está ocupando nichos no país vizinho, que sempre foram brasileiros.
Nos oito primeiros meses do ano, a balança comercial entre Brasil e Argentina tem superávit a favor do Brasil de pouco mais de US$ 370 milhões de dólares.