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Objetos doados aos atingidos por tragédia em Mariana serão leiloados

  • Por Agência Brasil
  • 21/12/2016 12h03
Fred Loureiro/Secom ESFred Loureiro/Secom ESBarragem
Resplendor (MG) - Imagem aérea mostra a a lama no Rio Doce, na cidade Resplendor ( Fred Loureiro/ Secom ES)

Objetos doados por artistas e personalidades às famílias de Mariana (MG) atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão irão nesta quarta-feira (21) a leilão. A cerimônia acontecerá às 19h no centro de convenções da cidade. O dinheiro arrecadado será destinado aos atingidos que posteriormente definirão, em assembleia, a forma como ele será empregado.

A barragem de Fundão, pertencente à mineradora Samarco, se rompeu no dia 5 de novembro de 2015. O episódio é considerado a maior tragédia ambiental do país. Foram liberados mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos que provocaram devastação de vegetação nativa, poluição da Bacia do Rio Doce e destruição dos distritos de Bento Rodrigues e de Paracatu, além de outras comunidades.

Em solidariedade, artistas e personalidades enviaram aos atingidos diversos artigos. O ex-jogador de futebol Zico doou um agasalho e um uniforme da seleção brasileira de 1982, ambos autografados. O apresentador de televisão Fausto Silva enviou um relógio e uma caneta. Por sua vez, a apresentadora Ana Maria Braga ofereceu um livro de receitas, uma cafeteira, uma faca e dois esmaltes. Entre os objetos doados, há ainda dois aventais utilizados durante o programa Master Chef e CDs autografados pelos cantores Lô Borges, Fernanda Takai e Lucas Lucco.

Cada objeto tem um preço mínimo fixado. A Agência Brasil apurou, por exemplo, que o menor lance para a camisa da seleção brasileira de 1982 será de R$800. O leiloeiro selecionado para conduzir a cerimônia terá direito a 5% do valor arrecadado.

Histórico

O leilão dos objetos havia sido prometido pela prefeitura de Mariana na época da tragédia. Passados seis meses sem que nenhuma iniciativa tivesse sido tomada, o governo municipal começou a ser questionado pela imprensa sobre o engavetamento dos artigos recebidos.

“Foi aí que a prefeitura entregou as doações diretamente à comissão dos atingidos. Mas eles não tinham condições de cuidar desses objetos. São pessoas que estão em uma condição de vulnerabilidade especial e são objetos caros, que poderiam atrair a atenção de ladrões e criminosos. Então eles procuraram o Ministério Público de Minas Gerais, na minha figura”, conta o promotor Guilherme Meneghin.

O Ministério Público de Minas Gerais inicialmente entrou com uma ação civil pública e obteve uma liminar obrigando a prefeitura a recolher os objetos e garantir a guarda e a conservação dos mesmos. Uma audiência também foi marcada para agosto, quando foi celebrado um acordo no qual o município se comprometeu a fazer o leilão e depositar os recursos arrecadados em juízo.

“Estamos buscando assegurar que os recursos beneficiem os atingidos. Isso é um direito não só de quem foi impactado na tragédia, mas também das personalidades que fizeram a doação. Sem dúvida, elas têm um interesse legítimo de que as doações possam de fato ajudar estas pessoas”, acrescenta o promotor Guilherme Meneghin.