Descoberta científica inédita da USP de Ribeirão Preto pode reduzir as 350 mil mortes por sepse que ocorrem todos os anos no Brasil. Pesquisadores da Faculdade de Medicina identificaram a proteína Icaa dentro da bactéria Coxiella burnetii, responsável pelo choque séptico.

Atualmente, um terço dos leitos em UTIs é ocupado por pacientes internados com sepse grave e 60% dos óbitos se dão em hospitais públicos.

O coordenador do estudo, professor Dario Zamboni, detalhou a substância que pode combater a manifestação sistêmica de uma infecção.

"A gente conseguiu a publicação em uma revista especializada e é uma proteína que não tem nenhuma outra estrutura conhecida. Temos alguns trabalhos para identificação do cristal e a estrutura dessa molécula e alguns outros trabalhos que a gente continua prosseguindo para avaliar a estabilidade dela no organismo e ver se ela pode, eventualmente, ser utilizada como futuro tratamento. Então não estamos em uma etapa de tratamento, estamos na etapa de entender a estrutura e ver como ela funciona", explicou.

Há duas maneiras de contrair sepse: na comunidade ou em ambientes de saúde, a temida infecção hospitalar. O presidente do Instituto Latino Americano de Sepse, Luciano Azevedo, explicou por que o Brasil tem mais casos do que a Índia.

"Algumas causas são relacionadas ao nosso sistema de saúde. Então a gente tem um número muito baixo na relação entre profissionais de saúde e pacientes. O mesmo enfermeiro ou técnico de enfermangem cuida de vários pacientes ao mesmo tempo, o que aumenta a chance de infecção. Outro problema é que os profissionais de saúde não tem a noção da importância da lavagem de mãos no manuseio do apciente e isso também é um fator de risco para surgimento de infecções. É a medida mais simples, fácil e barata para prevenir. O álcool previne, mas basta lavar as mãos com água e sabão", disse.

No mundo, 20 milhões de pessoas morrem todos os anos por sepse, termo antigo para infecção generalizada; no Brasil, 55% das vítimas não sobrevivem. Os principais sintomas são febre, fraqueza, calafrios, o coração bate mais rápido e a respiração fica mais difícil.

*Informações da repórter Renata Perobelli